tempo de oportunidades

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sábado, novembro 23, 2019

Jesus Cristo - o Messias

Por Célio Barcellos

O que seria do homem se não fosse o Cristo?
Na verdade, o homem não seria, pois desapareceria.
Ele era um cadáver ambulante e fétido. Um lixo!
Mas o Senhor da glória, o resgatou da patifaria. 

O homem ainda é um patife! Recusa o Cristo.
O Ungido de Deus que desceu do Céu para uma missão:
Resgata-lo do pântano, do pecado e do lixo.
Salvando-o da morte e direcionando-o para a salvação. 

O que seria do homem se não fosse o Cristo?
Ele estaria sem rumo e morto em seus pecados.
Emaranhado numa teia cheia de decepções e vícios,
Totalmente perdido, esculhambado e acorrentado.

Louvado seja Deus pelo Cristo!
Deu vida nova ao homem e o encheu de ESPERANÇA.
Da amargura e do pecado, o Senhor lhe ofertou um visto,
Com a morte do CORDEIRO, foi selada a ALIANÇA.

Da morte para a vida e através do batismo,
O lixo do pecado, a sujeira, a rebelião, são sepultados.
Pois o Santo ESPIRITO convence-o do pecado, da justiça e do juízo.
E a vida de amor, respeito e obediência, é restaurada.

O que seria do homem se não fosse o Cristo?
Ele não seria, simplesmente estaria morto.
Louvado seja Deus pelo sangue do Cordeiro,

Jesus Cristo - o Messias. 

terça-feira, novembro 19, 2019

Consciência negra é enxergar como ser humano



Por Célio Barcellos

Em meus tempos de criança na pequena Itaúnas, Vila bucólica do litoral norte capixaba, cresci num ambiente de rio, dunas e mar. Eram muitas as estripulias e aventuras nos pântanos, brejos, cajueiros e florestas daquele lindo lugar. Com os amigos Nenê, Toninho, Rivelino, Noirzinho e Mazinho, íamos longe em busca de aventura e muita diversão. 
Se fôssemos separar por cores, o mais branco da turma era o Nenê, que também possuía olhos azuis. Interessante que o Nenê era danado! Vítima de paralisia infantil, não tinha tempo ruim para ir onde íamos. Nadava, pulava da ponte, subia em árvores… era “o cão chupando manga verde” como nos referíamos. Arrumava problema e sempre se safava, incriminando outro. Eu mesmo apanhei muito em casa por causa dele.
Mas deixando de lado o Nenê, uma vez que também não éramos “santos”, voltemos a questão das cores. O Noirzinho era branco e não tinha olhos azuis, o Toninho,  Mazinho e eu, pardos, o Rivelino, possuía a pele mais escura do grupo. Apesar de ter somente um braço, devido a picada de jararacuçú, o Rivelino, à semelhança do Nenê, nadava, subia em coqueiro e tinha uma força terrível. Além do mais, possuía dentes fortes a ponto de descascar cocos (era o nosso facão ambulante nas chácaras do Zé Basílio e João Batista). 
- Os cabelos de todos eram lisos, exceto o meu. Sou filho de negro com branca. Tenho um tio que até me apelidou de “branco apuço”. 
Manoel Viana, remanescente do Comercinho do Parentes
Sempre tive pessoas negras ao meu redor e de convívio maravilhoso. Na própria Itaúnas e no sertão da mesma, conheci negros e mulatos fantásticos. Na Estiva, o tio Manoel Velho (negro) e a tia Ambrosina (branca, de cabelos longos e trançados) formavam um casal formidável. Como não me lembrar saudosamente daquele casal que prazerosamente nos recebia em sua casa e tantos outros viajantes que passavam a pé em direção ao Morro Dantas ou vice-versa?!
Imagem: Rogério Medeiros - Maria Ortiz
Recordo-me com saudades do tio Tobias (negro) e da tia Maria Trindade (com pele cor de canela e cabelo crespo). Foi o primeiro casal a abandonar a antiga Vila de Itaúnas (soterrada pela areia) e a fixar residência na atual.  Do tio Tobias, ganhei um facão que guardei por muito tempo, mas que desapareceu. Eu ia muito à casa deles. Uma residência simples feita de estuque, como a maioria das casas à época. 
Em minha casa, os meus avós, Valdimira era mestiça e de cabelos crespos e João Pequeno, era branco e de cabelos lisinhos, de forte herança portuguesa. E havia em nossa casa, a tia Maria Ortiz, uma cabocla brava. A informação era a de que a tia Ortiz tinha 137 anos. Isso no início dos anos 80. Se era verdade eu não sei mas ela era muito velha mesmo. A tia Ortiz foi casada com o Luiz Italiano, de sobrenome Corsani, expressivo fazendeiro no Córrego Grande. 
Pois é… eu teria muito mais pessoas para serem citadas, porém, ficarei somente com essas. O motivo desta crônica neste 20 de novembro é fortalecer a importância de que somos seres humanos independente da cor. Ninguém pediu para nascer, simplesmente nasceu. O fato de existir o negro, o branco, o amarelo, o mulato e etc…, mostra que somos coloridos à semelhança das flores e isso é algo fantástico. Negar essa beleza é ser daltônico e incapaz de compreender. 
Abdou Aziz - amigo e natural da Nigéria
Se aquela turma da minha infância fosse privada de se juntar devido a cor da pele, dificilmente eu estaria relatando esse texto. Todos os anos quando retorno a Itaúnas e reencontro esses camaradas, às vezes damos muitas gargalhadas das estripulias de meninos. Só fazemos isso, porque somos únicos! Porque somos seres humanos e nos enxergamos como irmãos. Viva o povo brasileiro!



sexta-feira, novembro 15, 2019

Itaúnas meu lugar, itaunenses minha gente!


Por Célio Barcellos
Falar de Itaúnas me emociona, pois ela é minha terra, local de minha gente. Todos os verões quando por lá passeio, reencontro a minha mamãe (dona Adocélia) parentes e amigos. Normalmente, saio a caminhar e a visitar pessoas. É algo que faço com satisfação, pois cresci vendo itaunenses ausentes chegando até à nossa casa para visitar os meus avós - João Pequeno e Valdimira.
Lembro-me bem de Paulino Guanandy, Antenorzinho, Afranio Cabral e tantos outros que já partiram, mas que as suas presenças em nossa casa estão marcadas em minha memória, pois eles entravam em nossa simples moradia e com simplicidade discorriam muitas conversas com os meus avós. Normalmente, eu ficava atento e sem poder dar palpites, pois como bem dizia o meu avô: “Você comeu angu com o fulano para entrar na conversa?”. 

No próximo verão, pela graça Deus, pretendo visitar mais pessoas. Reecontrar dona Aninha, pessoa que preso muito; Caboclinho, gente muito boa; Maria Catarina, Therezinha de Gilbertinho, dona Júlia, Astor Vasconcelos, Tereza Bonelá, Alcides Barcellos e tantos outros. Em minhas orações, lembro dos nativos de minha terra e dos que lá residem ao escolherem o nosso lugar para viver. 
Com a família na Trilha do Tamandaré em direção ao mar
Infelizmente, no próximo verão não encontrarei Benedito Maia nem o Gilson de Gilbertinho (o cara que transportava os enfermos da Vila em direção ao hospital). O mesmo aconteceu no verão passado quando não mais encontrei pessoas como: Dorotéia (como eu chamava dona Dorota), Bernabeth Maia e Juca de Dorota e Osmar (o coveiro). Também não mais verei a Aginha de Caboclinho, itaunense ausente que eu reencontrava em alguns verões na Vila. 
Estou aguardando as férias para poder esquecer o terno e a gravata e com os pés descalços, poder andar de bermuda e sem camisa, nas ruas da minha Vila. Subir as imensas dunas, refrescar-me nas águas mornas daquele belo mar e nas águas turvas do Itaúnas. Normalmente, vou até o Angelin e lá reencontro Zirinha, Maria do Amparo, Adontina e tantos outros descendentes de escravos que ali residem. 
Com pessoas queridas no Angelin
Amo Itaúnas! Amo a minha gente! Se eu tiver a oportunidade de desfrutar da aposentadoria, quero passar o resto dos meus dias nesse lugar. Espero em breve publicar o livro de crônicas que estou escrevendo sobre o ambiente fantástico que vivi. No momento sinto-me um Casimiro de Abreu ao declamar:

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras 
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais! 
Que Deus abençoe cada nativo, cada morador e a cada pessoa que pisar nesse solo. Que o Senhor Deus cuide de cada um de vocês. Infelizmente, a morte é a coisa mais certa na vida. Ela nos afasta das pessoas que aprendemos a amar e a nos divertir. Acredito em Deus e sei que a morte terá o seu fim, por ocasião do retorno do Seu Filho à terra (1Tessalonicenses 4:13-18). Por isso, apesar da tristeza da partida, há a ESPERANÇA do retorno. 
Até breve Itaúnas! 

terça-feira, novembro 05, 2019

Respeito e paciência com as pessoas


Por Célio Barcellos
Recentemente, veio à minha memória um momento horrível da minha infância. No início dos anos 80, na cidade de Pedro Canário norte do Espírito Santo, em um ato covarde da minha parte, provoquei um vendedor de picolé mais ou menos da minha idade. Morei um período naquela cidade por ocasião do êxodo rural que os meus avós decidiram fazer ao partirem da localidade de Córrego Grande, sertão de Itaúnas/ES.
Pois bem! O garotinho com aquela caixa de isopor levada ao pescoço gritava: “Olha o picolé!” Naquele momento em tom de deboche retornei: “De leite de mulher, nesta rua ninguém não quer”. Aquele garoto, que batalhava para vender o seu produto, foi tomado por um sentimento e retrucou em defesa do seu marketing verbal. Infelizmente, acabamos brigando e eu derrubei-o quebrando a sua caixa e fazendo o mesmo derramar lágrimas.
Dentro de mim, ao ver aquela cena, sai em disparada para casa. Entrei no meu quarto e cai em lágrimas. A face daquele menino, vendedor de picolé semelhante a mim, perturbava-me. Não me recordo se tentei ajudá-lo. Só sei que me senti o pior garoto do mundo. Por muito tempo, vinha à memória, o rosto daquele pequeno trabalhador que eu feri.
Hoje, ao escrever esse texto, recordo-me do incidente, porém, não do rosto daquele menino. Não sei qual o seu nome e nem o seu paradeiro. Se eu tivesse a oportunidade, o abraçaria e lhe pediria perdão. Mas daqui a pouco, o farei em oração e pedirei a Deus que cuide dele e de sua família por onde andarem. Espero que ele tenha tido um futuro brilhante e se porventura se lembrar desse momento triste, que ele me perdoe. 
Eu já estava com vontade de escrever esse texto há algum tempo e hoje, fiquei ainda mais motivado após assistir a um vídeo da deputada portuguesa Joacine Katar Moreira (portadora de “gagueira") discursando no parlamento. Fiquei muito surpreso com o respeito e paciência dos seus colegas de parlamento. Eles não esboçaram reprovação, muito menos deboche ou bullying com aquela mulher.
Normalmente, a classe política é desprestigiada em função dos escândalos da politicagem e da corrupção. Porém, é preciso considerar que num ambiente político  não ocorrem somente coisas ruins, mas ótimos benefícios para o bem comum. Inclusive essa bela atitude de valorizar quem tem dificuldades e que não pediu para nascer com elas. 
E se fosse na igreja? Você riria, zombaria, gravaria um vídeo e postaria nas redes sociais? Qual seria a minha e sua atitudes? Se você e eu, não tivermos a atitude desses políticos, ainda não compreendemos direito o que é amar o próximo. Se o mundo precisa de bons políticos, a igreja necessita de ótimos cristãos. 
Apesar da minha consciência dizer que fui um covarde com aquele garoto do picolé, ela também me enche de esperança por eu abominar qualquer ato vexatório a alguém. Somos todos seres humanos e não devemos praticar nenhuma atrocidade a qualquer pessoa. Seja ela um vendedor de picolé ou uma parlamentar com dificuldades na fala.
#respeito  #paciência 


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