tempo de oportunidades

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quarta-feira, janeiro 15, 2020

Terezinha Garuzzi, a viúva fiel


Por Célio Barcellos
Das diversas histórias relatadas na Bíblia, gosto muito da que o próprio Cristo menciona, quando observava os ricos e uma pobre viúva depositarem as ofertas no gazofilácio (Lc 21:1-4). Esse relato é interessante, porque Jesus em nenhum momento diz àquela mulher para não doar em função da sua pobreza, mas pelo contrário, exalta o seu ato de fidelidade a Deus. 
Não é propósito de Deus que você fique bisbilhotando quem oferta mais na igreja em função do que Jesus fez. Ele, na verdade, além de homem, também era Deus e por isso perscrutava as intenções de cada ser humano. No entanto, podemos observar nas palavras e atitudes das pessoas, qual o valor que Deus possui para elas. 
Particularmente, no dia 17 de dezembro de 2019, O Senhor Deus me mostrou pessoalmente, a atitude de fé de uma viúva do século 21. A viúva que menciono é a irmã Terezinha Garuzzi Barcellos. Acho que ela tem até parentesco comigo, pois os Barcellos são de um só tronco familiar. Diferentemente da viúva do primeiro século, Terezinha Garuzzi não vive em pobreza, porém, é possuidora de melhores recursos.

Terezinha Garuzzi é natural de Linhares e reside há muitos anos em Conceição da Barra. Viúva há várias décadas e mãe de 8 filhos, sendo 6 mulheres, ela nunca quis casar-se novamente para proteger as suas filhas. Em virtude dos traumas do casamento, ela preferiu cuidar dos filhos sozinha, pois não queria que um possível companheiro triscasse as mãos em suas princesas.
Conheço a irmã Terezinha desde 1994 quando iniciei a minha trajetória na Igreja Adventista. Desde então, já passaram-se 26 anos quando nos reuníamos numa pequena igrejinha no bairro Santana, distante 5 Km do Centro. Com o crescimento da igreja, mudamos para a beira do cais, no antigo supermercado do Olintinho. Atualmente com sede própria, a igreja está localizada na rua São Lucas, próxima ao trevo da cidade.
Pois bem, essa viúva do século 21, ao longo desses anos, passou por 24 cirurgias. As duas últimas em menos de 20 dias. Enquanto escrevo esse texto, recebo a notícia de que os seus rins estão bastante comprometidos no funcionamento. Ela está numa UTI do Hospital Meridional na cidade de São Mateus, distante 35 Km de Conceição da Barra. 

Como mencionei anteriormente, o Senhor Deus me mostrou a atitude de fé dessa viúva de 79 anos. Mesmo de férias, fui até ao hospital para visitá-la e com o intuito de ungi-la. Cremos na unção para a cura mencionada nas Escrituras (Tiago 5:13-15). Ao chegar no apartamento, encontrei-a repleta de aparatos, mas sorridente e feliz. Ao lado estava a sua filha Jackeline que atentamente a observava. 
Com uma amizade de 26 anos e naquele momento como pastor, cantamos dois hinos do Hinário Adventista: Santo! Santo! Santo! (18) e O Amor de Jesus (123); esse último, relembrei a ela que aprendi num culto de pôr do sol em sua casa. Na ocasião, cantamos umas 5 vezes o mesmo hino, pois achamos lindo. Foi logo que surgiu os CDs contendo as melodias dos hinos. 
Em algum momento da conversa, Terezinha exalta o nome de Cristo e mesmo cheia de dores, não cessa de sorrir e engrandecer o nome do Senhor. Também fez questão de mencionar a sua fidelidade nos dízimos e nas ofertas. Mesmo com os altos gastos com o tratamento ela disse: “O que é de Deus eu separo, pois Ele sempre cuidou de mim. Eu não mexo no que é de Deus para o meu tratamento. Nunca mexi, não é agora que irei fazer."
Essa é uma réplica das míseras moedas daquela mulher citada por Jesus. 
Confesso que quando ouço relatos semelhantes ao de Terezinha, me emociono e me dá mais vontade de seguir em frente no trabalho que Deus me chamou a realizar. Às vezes até surgem interrogações ao ver pessoas pobres, devolvendo o santo Dízimo. Mas, lembro-me de Jesus e a viúva pobre. Em nenhum momento Ele interpolou a mulher para impedir o seu ato de fé. 
Sei que a figura pastoral está desgastada em virtude dos muitos atos de “má fé” espalhados pelo mundo. No entanto, o ministério não deve ser interrompido em virtude disso, mas ser exaltado com a seriedade que Cristo exige. Afinal, o pastor é médico da alma e em todo lugar, há pessoas necessitando do seu ministério.  
Quero dizer que, uma viúva dos dias de Jesus ficava à mercê de favores; do possível retorno para a casa dos pais; da sorte de um novo casamento; da prostituição ou morrer de fome. De fato não era uma vida fácil, pois não havia INSS ou Previdência Privada que a socorresse. Ser viúva nos dias de Jesus, era algo humilhante! Totalmente diferente dos dias atuais. 
Porém, uma coisa não mudou: A fidelidade. Tanto Terezinha quanto a viúva dos dias de Jesus possuem semelhanças e também diferenças. Até porque, existe um enorme hiato de tempo separando as duas. No entanto, ambas expressam algo que nem as críticas ou até mesmo a morte pode tirar - a fidelidade para com Deus. 
Seja fiel como Terezinha! À semelhança da viúva do primeiro século, ela entendeu que Cristo é o dono de tudo e por isso dizimar e ofertar não são nada em meio às tribulações que a vida proporcionou. Se você acha que ser fiel a Deus é um ato de tolo, é porque você não compreendeu o valor que Deus tem para você. 
       Uma vez compreendendo isso, nem riqueza, muitos menos pobreza impedirão você de confiar inteiramente no Senhor e de entregar a usa vida para Ele. Vá a ele e deposite a sua oferta, ainda que seja aos cacos como aquela viúva. Mas não faça como os publicanos, que apesar de abastados eram mesquinhos e orgulhosos. Lembre-se: O Senhor te observa desde o ventre da sua mãe e sabe as intenções do seu coração, sejam elas boas ou más. 
        Ah! Se Terezinha vir a ficar inconsciente, tenho certeza que os seus filhos separarão a porção de fé que ela sempre devolveu para Deus. Afinal, foi isso que ela sempre fez. E se porventura ela dormir o sono da morte, descansará na certeza de que nem a morte arrancou a sua confiança em Deus. Ah, quer um conselho! Seja fiel à semelhança de Terezinha. 

segunda-feira, janeiro 13, 2020

Humanidade cativa


Por Célio Barcellos
A história da humanidade é repleta de muitas tensões. Na cosmovisão judaico-cristã, Deus criou o mundo perfeito e sem maldades. No entanto, de acordo com as Escrituras Sagradas, o homem pecou ao desobedecer a Deus e por conseguinte, a humanidade herdou a maldição do pecado, protagonizada em: confusão, doenças, escravidão, morte e tudo de ruim ao nosso redor. (Gênesis 3:1-19). 
A partir da localização do atual Egito, seguindo ao norte de Israel e do Líbano, desembocando na Síria e partindo rumo ao Iraque, chega-se ao Kuwait no Golfo Pérsico. Esse traçado geográfico, num desenho em formato de uma lua, designa-se como o Crescente Fértil. De acordo com Hans Borger, é “uma região que, desde a Idade da Pedra, constituiu o berço de inúmeras civilizações altamente desenvolvidas”.  
O elemento vital para o desenvolvimento dessa geografia se resume na abundância das bençãos dos rios Nilo e Eufrates. O primeiro no contexto do Egito, nação poderosíssima que subjugou vassalos com a impiedade dos faraós. O segundo, no contexto da Mesopotâmia de grande importância para os Babilônios, Medos/Persas e o próprio Império Romano que assumiu o protagonismo conquistando esses territórios.
Pelo retrovisor da história, podemos ver que de fato a humanidade sofreu e ainda sofre a maldição do pecado. De acordo com a escritora Ellen White, “o pecado deslustrou a imagem de Deus no homem”. E como deslustrou! As histórias de conflitos e impiedades humanos, somente confirmam a veracidade da malignidade do pecado. Muitos recusam a admitir a sua existência, mas o pecado é um câncer mortal no ser humano. 
Os gritos de liberdade ecoados nas rebeldias e desrespeito ao outro em detrimento dos prazeres, parecem indicar a escravidão na falsa liberdade propagada. Tenho lidado com pessoa e famílias esfaceladas em função dos vários tipos de drogas e álcool. Alguns afetados, parecem não se importar, pois aparentam desfrutar da plena liberdade que propagam. No entanto, estão acorrentados num calabouço de escuridão que não conseguem sair.
Boa parte do planeta parece estar insensível com o sofrimento do outro. O egoísmo anestesiou o ser humano. Há muita gente sofrendo e sendo tratada como animal. Muitas delas estão há dias com fome e com sede. Várias amordaçadas e espancadas por seus algozes que muitas vezes moram ao lado de nossa casa. Há pessoas sendo assassinadas com todos os requintes de crueldade. Quanto horror! 
Sem contar os escravisados nas filas e corredores dos hospitais; do INSS humilhados para provarem que existem e obterem o direito pelo que contribuíram; os pobres, privados de oportunidades em função dos senhores feudais que impedem os seus filhos de acessarem a educação que liberta. Enfim… há muita escravidão por ai…
Desde pequeno, ouço as histórias da escravidão e os horrores que um ser humano pode fazer. Para entender um pouco mais acerca dessa vergonha da humanidade, o meu livro de férias foi "Escravidão", de Laurentino Gomes. Em algum momento ele diz que “a escravidão foi uma prática disseminada em quase todas as sociedades e períodos da história humana. No passado, não fazia distinção de raça, cor da pele, origem étnica ou geográfica.”
Às vezes me intrigo com as revoltas que pessoas fazem em busca de usar drogas livremente e até mesmo pelo direito de andar peladas. Também me intrigo, pela exigência em expressar ofensas a Deus, à fé e tradição das pessoas. Mas acho superestranho elas não se importarem com os milhões aprisionados pela fome, opressão e falta de oportunidades. 
Se o Crescente Fértil foi o berço do conhecimento e de situações de alta complexidade, o mesmo fez surgir conflitos que se arrastam até hoje. Enquanto os historiadores denominam de Medieval o período obscuro da Europa, a região do Crescente Fértil já tinha avanços incomparáveis, na escrita, na agricultura, arquitetura, na arte e muito mais. 
O problema tanto de lá, quanto dos milênios de história, bem como dos dias atuais é que o ser humano continua pecador e maldito pelo pecado; na ganância de alcançar a glória, ele coloca outros humanos no inferno. Seja do chicote, da humilhação ou da usurpação. Sem contar os livres que por suas estranhas escolhas, tornam-se em escravos dos seus muitos prazeres. 

quarta-feira, janeiro 08, 2020

Conceição da Barra - linda mulher que está machucada II


Por Célio Barcellos
Há menos de uma semana escrevi um texto acerca de algumas coisas que notei em Conceição da Barra. O objetivo do texto foi levantar discussões. Afinal, são nas opiniões que as ideias surgem. Todos os anos visito a Barra. E visito mesmo! Nestes 28 anos de posse do meu título de eleitor, nunca quis transferi-lo do município, exceto a partir deste ano, quando decidi fazer a transferência por respeito ao lugar que me acolhe.
O brasileiro tem dificuldade de mudança. No que se refere a política por exemplo, muitos vestem a camisa de determinado candidato ou partido como se fosse time de futebol ou até mesmo religião. Haja vista o fenômeno da última eleição quando o país se dividiu entre “eles" e “nós”, quando até mesmo famílias e amigos se distanciaram. 
Política não é para isso! O cidadão é um ser livre e precisa se libertar dos mandatários que por décadas tem influenciado as massas e que em muitos lugares da Federação, só aumentam a pobreza e a miséria. O cidadão barrense precisa olhar um pouco além. Confesso que havia parado de opinar sobre política, mas decidi escrever essas percepções acerca do meu lugar. 
Ao olhar para a Barra nas últimas 3 décadas, percebo avanços e retrocessos. Conhecida como a Princesinha do Norte, no auge dos carnavais que arrastavam 200 mil pessoas em cada edição, (para uma cidade de 25 mil habitantes). Naquele período, empresas como: BARRAPESCA, FRIESP e Jandira Guerra, empregavam centenas de moradores. Também funcionavam Capitânia dos Portos, Coletoria, Colônia de Pescadores, ACESITA, além das tradicionais Alcon e Disa (essa última falida). 
As conversas dos anos 90 eram de que a cidade possuía o terceiro maior carnaval de rua do Brasil, perdendo apenas para Salvador e Olinda. Atualmente, a Vila de Itaúnas, famoso balneário do município detém o título de Capital Nacional do Forró Pé de Serra. No auge dos anos 90, de fato, músicas como "Amor de Verão" (Banda Auê) e as cantadas por Detinho da Banda Revelação tiveram projeção nacional. 
Foto: Mário Viegas
Não quero que o leitor sinta-se um saudosista e a venha se deprimir com nostalgias  de coisas que não voltam mais. Até porque, bem como disse Heráclito: “O ser não é porque está sempre sendo”. Talvez Conceição da Barra não terá mais 200 mil pessoas por edição de carnaval em suas ruas, pois a concorrência aumentou, forçando outros municípios investir em seus balneários. No entanto, ela pode mapear o perfil de quem a visita e propor atrativos para o ano inteiro e ter muito mais do que 200 mil visitantes. 
Particularmente, acho que aquelas multidões dos anos 90 não agregavam muita riqueza para a cidade. Me parece que havia mais prejuízo do que lucro em todos os sentidos. Desde sujeira nas ruas, brigas, uso de drogas e muito barulho.  Seria interessante uma mensuração do impacto social acerca desses tipos de eventos.
Este ano, por motivo de força maior, não foi possível passar a virada de ano em Conceição da Barra. Mas noto há alguns anos, um alto número de famílias e pessoas diversas agregando um turismo diferenciado que gera mais lucro ao comércio. Praças e feirinhas repletas de pessoas. Sem contar que é menos barulhento em comparação aos trios elétricos que invadiam as ruas da cidade. 
Parabenizo empresários como Roberto Malacarne que tem se juntado a outros e com o apoio da Prefeitura criaram o Festival Gastronômico em Conceição da Barra. Iniciativas como essa movimentam a economia e colocam o município no radar turístico. Segundo o site www.setur.es.gov.br, em 2017, Conceição da Barra ficou entre as 10 mais procuradas do Estado, levando em consideração os perfis entrevistados. 
Esse potencial turístico o município tem e deve ser muito mais explorado. Uma coisa precisa entrar na mente dos gestores: Os moradores não vivem somente do turismo. É preciso algo mais! Se no início dos anos 90, o município era mais protagonista, imagino que poderá voltar a ser. O que foi pensado para substituir as empresas falidas? O que está sendo pensado para o emprego e para a educação, já que muitas profissões estão sendo extintas e a economia está na transição do industrial para o virtual?

Desenho do jovem artista barrense Kairos Álef Avido Barcellos, retratando o Casarão do Cais, antigo Trapiche.
O que está sendo pensado para os próximos 30 anos? Há 3 décadas, a Bahia Sul Celulose quis se instalar no município e a visão do gestor municipal à época não foi empreendedora, porém, mesquinha e festeira. Imagino que o município perdeu bastante. Graças a Deus que muitos barrenses se qualificaram e entraram na empresa, mesmo instalada em território baiano. Muitos já estão desfrutando da merecida aposentadoria. 
Não adianta agora culpar fulano, beltrano ou sicrano, o importante é olhar além, sem deixar de lembrar do que não deu certo para não voltar a se repetir. 2020 é ano eleitoral e como você votará? Continuará a escolher por amizade ou favores? As estimativas são as de que 1 milhão de pessoas se candidatarão no Brasil. Imagino que na Barra a quantidade de candidato será enorme, pois a política tornou-se em cabide de emprego.  
Espero que o atual momento político nacional tenha despertado o eleitor barrense. Não dá mais para aceitar mensalões e petrolões. Até mesmo o atual presidente que se elegeu com o forte discurso contra a corrupção, se o mesmo se envolver em tal delito, o povo tem por obrigação não reelegê-lo. Chega de paixões por candidatos! Não morra por eles! Dê a vida por sua família. 
Pense bem em quem vai votar. Avalie direitinho, pois você elegerá pessoas que de uma hora para outra, começará a ver dinheiro que nunca viu na vida. Elas trabalharão com orçamentos milionários. E se o indivíduo não consegue administrar o orçamento doméstico, como administrará o público? Tem pessoas no Brasil que estão nas mãos de bancos, financeiras e até mesmo de agiotas e ainda querem administrar os recursos destinados aos nossos filhos. Comece a pensar nisso! Pare de exigir emprego na prefeitura e comece a exigir oportunidades. E se esforce para as oportunidades! 
Pintura acrílica artista barrense Kairos Álef A. Barcellos
Ainda sonho em ver a Barra com mais oportunidades para os barrenses. Alguém que enxergue a Barra para o mundo. Que olhe para a nova geração com esperança. Mas que faça algo nesse sentido. Que não esteja satisfeito em ver jovens perdendo o futuro envolto a coisas que destroem a vida. Que não esteja satisfeito com a economia, mas que crie meios para aumentá-la e enriquecer a sua gente. E o que os pais assumam a educação dos seus filhos. A culpa não é somente do poder público.
A Barra continua linda, porém percebo alguns machucados nela. E se não forem tratados achando que todo lugar é igual, poderá desenvolver feridas difíceis de cicatrizar, causando gangrena e até amputação. Os últimos 30 anos mostraram indicativos dos problemas atuais. Se os políticos viraram as costas, o preço está sendo alto para saná-los. Nas últimas gestões, houve muitos avanços na área de saneamento, pavimentação e embelezamento da cidade, mas acho que falta uma atenção à juventude e sua qualificação. 
Que a próxima geração de políticos trabalhe para o cidadão assim como trabalha para os filhos. Que olhe o município como um todo. Para daqui a 30 anos, quando todos desfrutarem da aposentadoria, estejam orgulhosos não somente dos filhos e dos netos, mas dos barrenses que também geraram netos, para avós mais que orgulhosos. 
Daqui a 20 anos, se Deus me der a oportunidade de desfrutar da aposentadoria, quero viver em Itaúnas, minha terra natal. Dali sai aos 14 anos, com uma malinha de couro deixando para trás a minha saudosa vovó que em lágrimas da janela da nossa simples casinha, acenava não acreditando em minha partida (ler relato completo). Mas precisei sair. Sonho em voltar! Apesar de nunca ter ficado um período sem visitar a minha terra, ainda quero viver como barrense em meu próprio lugar. Que Deus abençoe a nós barrenses! 

domingo, janeiro 05, 2020

Conceição da Barra - linda mulher que está machucada.


Por Célio Barcellos
É sempre bom retornar a Conceição da Barra/ES e rever amigos e familiares. Especialmente a Itaúnas, local de minha origem e onde tenho um ambiente próprio para ficar. No entanto, fiquei um tanto assustado com as ocorrências de violência a qual acarretaram o nosso lindo balneário. Assassinatos que repercutiram em âmbito nacional, tiroteio em pleno centro da cidade e até mesmo uma mega operação policial contra o tráfico de drogas.
A cidade descrita em poesia que nasceu "do encontro das águas do mar com o rio Cricaré e que de um beijo ardente nasceu uma linda mulher - Conceição da Barra”, infelizmente na conjuntura atual não está rimando com poesia, mas com violência. Como barrense ausente, posso até está exagerando, pois não estou no dia-dia da cidade; mas nas três semanas e meia que ali fiquei, notei pessoas apreensivas com os fatos ocorridos.
Particularmente, gostava muito de sair a pé e caminhar por vários lugares, desde o Centro à Associação de Pescadores, passando pela Favica e seguir em direção do Santo Amaro, quando no caminho cumprimentava velhos conhecidos dos tempos em que eu jogava bola no Praiano Esporte Clube. Os campeonatos da época e mais o fato de meu trabalho ser na Casa Lotérica, facilitaram muito conhecer pessoas. Além de colegas de escola.
Ver a situação de Conceição da Barra, me faz pensar o quanto o poder público é responsável por esses infortúnios. Desde quando tirei o meu título de eleitor, os políticos que ali passaram, não construíram legado para a posteridade. Pelo contrário, ao pensar somente em si, destruiram manguezais, a foz do Itaúnas que por conseguinte, afetou os brejos e até mesmo a economia dos pescadores.
Calçadão da Barra
Um Município que até deputado estadual nativo do lugar já teve, mas que o desenvolvimento passou longe. Não tem uma empresa de grande porte, industrias pesqueiras fechadas, uma das maiores usinas de cana de açúcar do norte do estado, fechada; a Capitania dos Portos não funciona mias, a Colônia de Pescadores falida, o esporte amador totalmente escanteado. 
Falar em esporte amador, o time de futebol de areia do município de Pedro Canário, já sagrou-se campeão profissional do estado. Não falo isso com inveja, pelo contrário, parabenizo os canarenses pelo empenho. Mas é uma vergonha para Conceição da Barra, uma cidade litorânea nem isso se esforçar para ter. Lembro-me com saudade da época em que pessoas como: Alfredo, Elson Vasconcelos, Inácio Oliveira, sr. Ademar, Tião Bodé, Samuel Pedrosa, Cabrito e tantos outros que tiravam tempo e dinheiro em prol do esporte barrense. 
Seria muito melhor ver jovens envolvidos com o esporte, do que vê-los nos noticiários das drogas e assassinatos indiscriminados no município.  Seria maravilhoso ver crianças e jovens estudando e sonhando alto. Seria maravilhoso ver os barrenses tornando-se bilíngues; além de preparar o morador para receber os gringos, seria uma grande inciativa de libertar as pessoas da bolha que prende os brasileiros. 
Falar uma nova língua é se comunicar com o mundo, não para sacanagens, mas para o bem-estar da pessoa e das pessoas. Não vejo nada impossível um gestor fazer isso, é só ter boa vontade e alegria em transformar pessoas. O problema está na má vontade, na política dos interesses, do toma-lá-da cá, nas rasteiras e sujeiras que esse ambiente proporciona. 
Praia do Riacho Doce em Itaúnas
Gostaria de ver o meu município melhor. Até fiquei feliz ao perceber um galpão no trevo da Barra, onde imagino ser uma empresa por nome “Yes”. Quem sabe chegou a hora de mais empresas se achegarem e ajudar no progresso de nossa terra!? Muita gente diz que os 18 KM que separam a BR 101 da cidade impede isso. Acho que é conversa para pessimista e aproveitador, pois Colatina tem 60 KM até a BR e não para de crescer. 
Se o povo barrense quer um município melhor, está na hora de fazer um pacto para o bem comum. Não tolere mais políticos que somente entram para se beneficiar e beneficiar os seus. Não troque o seu voto por cesta básica, dinheiro, materiais de construção, cervejada e até mesmo promessa de emprego. Tudo isso cessa rápido. Procure pensar a longo prazo, num município mais cidadão para a sua gente. 
Sou filho do município e amo esse lugar. Mesmo morando fora, fiz questão de registrar o meu primeiro filho no cartório de Itaúnas. Queria fazer o mesmo com a filha, mas infelizmente as condições financeiras à época impediram a viagem. Vejo muitos barrenses nascendo e sendo tratados em São Mateus por falta de estrutura hospitalar; vejo muita gente mudando para São Mateus. Até os bons médicos de outrora, não residem mais na cidade. 
Não poderia deixar de parabenizar os comerciantes e demais empreendedores  que acreditam em nosso lugar.  As lojas e comércios bonitos e modernos, causam uma boa impressão para quem chega. Percebo que essas pessoas foram visionárias. Parabéns mesmo! Espero que os novos políticos sejam visionários quanto vocês.
Para um país dar certo é indispensável uma cidade dar certo. E isso deve começar com cada família do lugar. Saber onde quer chegar é fundamental para o êxito, mesmo que isso leve algum tempo. O mais importante é chegar e saber como chegar. Ter uma rota calculada e com objetivos claros, facilita o processo e o progresso. 
Que Deus ilumine os barrenses para os anos que virão! Com boa vontade, honestidade e muito amor pelas pessoas, o município surpreenderá a sua gente não com notícias tristes, mas com esperança transformadora e modelo a ser seguido. Isso não vem de graça, nem com trabalho fácil e muito menos com venda de votos, mas com suor e muita lágrima. Que Deus abençoe o povo da minha terra! 

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