tempo de oportunidades

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segunda-feira, setembro 10, 2018

Que semana!


Por Célio Barcellos

No domingo 02 de setembro por volta das 22:00, quando eu retornava para casa ouvindo a CBN, me assustei com a triste notícia do incêndio ocorrido no Museu Nacional. Em menos de 24 horas, 200 anos de história se perderam sob chamas cruéis que não pouparam essa riqueza incalculável dos brasileiros. De acordo com os veículos de informação, foram cerca de 20 milhões de itens danificados e destruídos. 
Já na quinta-feira (06), por volta das 17:00, enquanto eu levava o meu filho para a terapia e também ligado na CBN, fui informado do esfaqueamento do candidato a presidência da República Jair Bolsonaro. Que semana horrível! Praticamente teve início com notícia ruim e terminou com péssima notícia. Na realidade, o brasileiro já não se assusta tanto, pois esse tipo de notícia se tornou corriqueira. 
Infelizmente, o momento político atual tem causado uma polarização entre direita e esquerda a ponto dos ânimos se acirrarem.  A luta pelo poder gera desconforto na sociedade. São palavrões, desrespeito, agressões e até ameaças de morte, quando discursos inflamados de ambos os lados promovem uma verdadeira guerra.
Ao longo de sua história, o Brasil teve diversos conflitos sangrentos que deixaram muitas cicatrizes. No entanto, levando em consideração a época em que vivemos, não deveria haver espaço para as barbáries que insistem em dividir o País. Se tão somente, cada brasileiro cumprisse com as suas obrigações e pensasse no bem-estar da nação, certamente o clima seria outro.
Normalmente, quando se luta por uma Pátria, há sempre derramamento de sangue. No entanto, já temos uma Pátria. O que precisamos fazer é tornar esse lugar, o melhor possível para viver. Não existe a necessidade de derramamento de sangue e sim de um pacto de civilidade entre todos. 
Há 129 anos, o Brasil optou por escolher a República como modelo de governo.  O modelo não é perfeito, mas é o que temos. O gigante Brasil com os seus cerca 200 milhões de habitantes e de dimensões continentais, não deve jamais cair na besteira de querer resolver tudo na bala ou no facão. Não somos trogloditas e nem fazemos partes de etnias Tútisis ou Hutus, mas da nação brasileira.
Para refrescar a memória, nos anos 90 em Huanda, as etnias Tútisis e Hutus, desencadearam uma guerra civil de proporções inimagináveis a ponto de irmão matar irmão, marido matar esposa, filho matar o pai, enfim… uma verdadeira guerra nacional. O resultado foi 1 milhão de mortos e um Estado lastimável, pois tanto as instituições civis, militares e religiosas nutriram ódio capaz de destruição. 
Num mundo tecnológico em que cada cidadão é protagonista da notícia, deveria existir maior cuidado e responsabilidade de todos. Especialmente dos líderes dessa nação. Qualquer pessoa que exerça um cargo de liderança deve olhar como um todo. É preciso considerar que a multidão é formada por mentes e cada mente é um universo, cheia de coisas boas e ruins. 

Portanto, seja um brasileiro capaz. Não dependa dos favores e promessas. Eles podem até nutrir sonhos e fantasias, mas geram terríveis conflitos reais. Procure exercer a sua cidadania sem necessariamente se envolver em confusões. Se cada brasileiro fizer a sua parte escolhendo bem e os eleitos cumprirem fielmente para o bem, certamente os gritos se equalizarão, pois tanto o Estado quanto o seu povo se entenderam.

sexta-feira, setembro 07, 2018

Histórias que nos motivam

Irmãs Avelina e Lord e irmão Sebastião

  
Por Célio Barcellos


      Por volta do pôr do sol dessa sexta-feira (07/09), juntamente com o irmão Sebastião, membro na Igreja de Cobilândia II Vila Velha-ES, visitei as irmãs Avelina e Lord. As duas muito simpáticas, simples e repletas de fé. A irmã Avelina passou por uma cirurgia e estava tendo a companhia de sua irmã para auxiliá-la.
     Durante as conversas, elas me relataram que nasceram na localidade de Córrego do Brejo, próximo a Lajinha de Pancas, no noroeste do Estado do Espírito Santo. Os seus pais, Miguel Batista Amélio e Luzia Maria Amélio, tiveram os seguintes filhos: Dorvalina, Jaconias, Vitalina, Laudelina, Adelina, Vivaldina, Avelina e Adonias.
    O que me chamou a atenção foi que apesar das dificuldades, os pais criaram os filhos no evangelho. Havia muita dificuldade para se chegar a uma igreja Adventista à época. Era preciso caminhar por cerca de duas horas todos os sábados para congregar. Como era muito distante, aos domingos eles frequentavam a igreja Presbiteriana e também a Batista. 

Pais: Miguel Batista Amélio e Luzia Maria Amélio

Nunca perderam a fé e sempre conviveram harmoniosamente com os irmãos das demais igrejas. Um dos pastores adventista que atendia a região à época chamava-se Godofredo. Esse é o que elas conseguiram se lembrar bem.
Por falta de oportunidade e em função das muitas dificuldades da época não estudaram. O que sabem ler, desenvolveram com a leitura das Escrituras. Louvado seja Deus! 
Apesar da mãe (Luzia M. Amélio) não saber ler, ela decorou o Salmo 91 e sempre recitava para os filhos e em oportunidades testemunhava para as pessoas.  O pai nunca se batizou, mas nunca deixou de ir à igreja e conduzir a todos no caminho.
Finalizando, quero dizer que, histórias como essa certamente causam nostalgias em quem viveu cada detalhe. Mas confesso que me causam impacto a cada visita pastoral que tenho oportunidade de vivenciar. O que devo fazer é pedir a Deus que tenha misericórdia de mim e que me ajude a prosseguir com fé e disposição no cuidado do rebanho e da expansão do Reino de Deus.

Maranatha! 

quarta-feira, agosto 29, 2018

Vivamos como em um bom condomínio


Por Célio Barcellos

     A polarização política no Brasil entre a direita e a esquerda, tem gerado há algum tempo, muitas discussões e protestos. No momento atual, em que ocorrem as campanhas eleitorais, os diversos candidatos tentam de todas as maneiras, angariar votos de uma população fragilizada por desemprego, insegurança e tantas outras coisas essenciais para qualquer ser humano.
Infelizmente, na onda do politicamente correto, poucos encaram o problema de frente para estancar a sangria. Percebe-se no contigente de milhões de brasileiros, a forçação de determinados conceitos e ideologias a fim de suplantar qualquer tentativa de pensar diferente.
Historicamente, o Brasil é um país cristão. Católico ao extremo em seus 300 anos iniciais, o que veio a mudar somente a partir de 1808 com a chegada da família real portuguesa, quando D. João VI, assinou a abertura comercial com a Inglaterra e por conseguinte o País abriu as portas para a chegada de outras correntes religiosas.
A despeito das dificuldades ainda existentes, os países cristãos, sem sombra de dúvidas ainda são os melhores lugares para a diversidade. Infelizmente, a extrema esquerda e a extrema direita se digladiam mais em função da falta de equilíbrio. Um lado quer a total liberação das coisas, o outro, não aceita os excessos.
Quão bom seria se o dinheiro da corrupção de fato fosse investido nas pessoas. Teríamos adolescentes com livros ao invés de fuzis; Teríamos transferências de conhecimentos ao invés de comércio de drogas; Teríamos escolas de esperança ao invés de ruas do medo. Enfim… teríamos tudo de bom.
Mas para que lado seguir? Se escolho a esquerda, há permissividade. Se escolho a direita, há agressividade. E no centro? Encontra-se passividade. Isso quer dizer que: Ou essa turma se entende e faça o melhor para o Brasil, ou teremos dias não muito agradáveis. 
- Porém, como se entender, se cada um quer a proeminência? Parece que possuem uma bola de cristal onde tudo se resolve. E ao final do discurso, gera muita enganação.
O melhor que cada brasileiro tem a fazer é votar. Apesar do sistema político imperfeito, é o que o País tem. Evite polarizações! Procure exercer a sua cidadania da melhor maneira. Seja você negro ou branco, rico ou pobre, hétero ou homossexual, enfim… somos todos brasileiros. 
Se cada um respeitar o direito do outro, certamente não teremos essa guerra. Procure viver a sua vida levando em consideração que você vive numa Pátria que outrora era extremamente católica, que abriu as portas para evangélicos, ateus e tantos outros credos e povos; e que ao longo dos anos virou gigantesca. 
Portanto, não obrigue o outro a seguir a sua forma de vida. Faça a separação entre o público e o privado e entre o certo e o errado.  Se cada pessoa, à semelhança de um Condomínio, respeitar as regras e procurar fazer do seu prédio o melhor lugar para se viver, creio que todos viverão pacificamente, apesar de suas particularidades. 

segunda-feira, agosto 20, 2018

Falange do bem


Por Célio Barcellos
       Nenê, Célio e Toninho, um trio que na verdade se tornava um sexteto, quando a ele se uniam Rivelino, Noirzinho e Mazinho. Nenê era o chefe, o cabeça, o maquiavélico do grupo. Não sei os demais, porém, por causa dele, apanhei muito em casa. O cara era o “cão chupando manga verde”. Não havia distâncias e obstáculos para o Nenê. 
Era aleijado em função de uma injeção aplicada sobre o nervo, a qual causou-lhe paralisia. Ele precisava andar de muletas. E com elas, hora de madeira, hora de alumínio percorria conosco longas distâncias. Ou melhor: nós quem percorríamos com ele, afinal ele era o chefe, o cabeça da tribo. Localidades como: João Batista, Therezinha, Zé Dias, chácara do Zé Basílio (essa nem se fala, pois estava dentro da Vila), eram locais das aventuras.
Um certo dia, chegara de Vitória um alemão desengonçado, por nome de Jerônimo, acostumado a andar de carro, ônibus, helicóptero, sem lá… o que sei é que ele, por influência do Toninho ou do Mazinho, resolveu se juntar àquela pequena turba e decidiu ir conosco ao João Batista. Chegando lá, estava ruim de frutas e somente havia cocos, porém, para quem não sabe, aquela chácara abandonada rodeada de eucalipto, possuía coqueiros enormes. 
O problema é que o alemão desengonçado não estava acostumado a andar no mato e logo apelou, pois estava cansados e morrendo de sede, como um cachorro com a língua para fora. Aí que foi o problema: E agora? Ninguém queria subir no coqueiro, pois era gigante. O alemão ficou nervoso, pois estava com sede e certamente com fome, queria de qualquer maneira me obrigar a subir no coqueiro.


Eu subia em coqueiro, mas sabia o meu limite. Aquele era enorme. O Rivelino também. Mas não me lembro se ele estava nesse dia. O Rivelino era tão danado, que a despeito de ter somente um braço (infelizmente, por uma picada de jararacuçu, perdeu o braço esquerdo). Ele tinha um cotoco de braço. Falávamos que a força do esquerdo havia passado para o braço direito. Um detalhe! O danado do Rivelino, além de subir em coqueiro e tantas outras estripulias, ainda rasgava o coco com os dentes. O chamávamos de "dente de cavalo".
Pois bem, o alemão estava vermelho, rosa, roxo…nervoso que só. Para nossa sorte, acho que o Mazinho subiu naquele jamanta de coqueiro. Foi minha salvação, pois o alemão se encrespou comigo e queria me bater. Nenê como sempre, tirava o dele da reta. E por ser aleijado, tínhamos pena dele. 
Confesso que apesar das estripulias, foram dias maravilhosos em nosso paraíso chamado Itaúnas. Parece que o tempo não passava. A nossa pequena Vila, se tornava grande em alguns momentos. Percorríamos longas distâncias para nos divertirmos rodeados por matas, rio, dunas e mar.  


Vivíamos como patos dentro d’água. O Nenê apesar da deficiência nas pernas e o Rivelino sem o braço, faziam coisas extraordinárias. Desde subir em árvores, pular da ponte, nadar e mergulhar como um boto. Fazíamos tudo isso com alegria de meninos. 
Confesso que tenho saudades, até das surras de minha vó, pois apanhei muito por pular da ponte, e especialmente por andar com o Nenê, pois ela tinha uma raiva quando me via carregando-o nas costas em direção ao rio. 
É isso aí! Nostalgias da infância. Quando retorno à minha terra, sempre encontro essas figuras. Damos gargalhadas pelas muitas histórias. Ah,! Com os avanços nos tratamentos, o Nenê praticamente não utliza muletas. Às vezes, utliza um apoio, mas praticamente anda sem esse auxílio. 

Um abraço a cada nativo dessa terra linda chamada Itaúnas!

ARTIGOS ESPECIAIS -:)