Onde está o clamor pelo sagrado?
Por Célio Barcellos Quando a morte brutal de um cachorro desperta comoção nacional, protestos nas ruas e nas redes, mas o assassinato covarde de uma freira idosa — dentro de seu próprio convento — passa em silêncio quase absoluto, é hora de perguntar: o que aconteceu com nossa compreensão de lei, justiça, moralidade e convivência humana? O crime contra a irmã Nadia Gavanski revela uma humanidade ferida, distante do temor a Deus e do respeito ao sagrado. Em A Filosofia do Talmud, Samuel Belkin recorda as palavras do filósofo judeu Filo: tirar a vida de alguém é um sacrilégio — do latim sacrilegium , roubo ou profanação do que é santo, violação do que merece reverência suprema. Filo vai além e usa o termo grego hierosulia para classificar o assassinato como o pior dos sacrilégios, pois, entre todos os tesouros do universo, “nenhum é mais sagrado e semelhante a Deus do que o homem”. A irmã viveu esse entendimento na carne: consagrou-se a Deus, escolheu a vida religiosa ...



