Conceição da Barra: entre o silêncio e o batuque
Por: Titony Passos Houve um tempo em que Conceição da Barra, no norte do Espírito Santo, parecia respirar devagar. De março até novembro, a cidade pertencia aos seus moradores, aos pescadores que conheciam o humor do mar, às senhoras sentadas nas calçadas ao cair da tarde, às crianças que brincavam sem pressa e aos poucos carros que cruzavam suas ruas tranquilas. Um velho amigo costumava resumir aquele sossego com uma frase que fazia todos rirem: — “Pode sair pelado na rua à noite que ninguém vê.” Era exagero, claro. Mas todo exagero guarda um fundo de verdade. A Barra dormia cedo, e o silêncio era tão dono das noites quanto a lua refletida nas águas do rio Cricaré antes de encontrar o Atlântico. Pôr do sol no cais entre o rio Cricaré e o Atlântico Então chegava dezembro. Era como se alguém girasse uma chave invisível. As primeiras malas apareciam nos porta-malas dos carros vindos de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, de Vitória e de tantos outros lugares trazendo famílias inteiras...




