Descalço entre o infinito e o Cricaré
Por Célio Barcellos Em seu soneto “Aconteceu-me do Alto do Infinito”, Fernando Pessoa deixa entrever a sensação de ter vivido antes da vida, como se a alma fosse uma entidade anterior ao corpo e o eu pessoal, fosco e banido, tivesse sido expulso do país de onde vinha. Não pretendo discutir se a alma existe fora do corpo, até porque não acredito dessa forma. O que me interessa é o drama existencial que, cedo ou tarde, nos alcança a todos: aquele vazio imenso que nos faz ansiar por algo que sequer sabemos nomear. Particularmente, gosto da vida. Sinto-me bem ao observar o que me cerca, sobretudo a natureza, de preferência diante de uma bela vista para o mar. Nas férias, costumo ir ao Espírito Santo e transitar entre a Vila de Itaúnas e Conceição da Barra. Assim que chego à Vila, tiro os sapatos e caminho descalço sobre a grama e a areia. O contato me faz um bem enorme. Saio beirando o rio em direção à praia e, nesse percurso, um misto de presença e nostalgia da infância ...





