Um Dia Por Vez
Por Célio Barcellos
“Me ensina a viver, meu Cristo, a Ti pertence o amanhã. Me ensina a viver, se preciso for, um dia por vez.”
O que é a vida, senão vivê-la?
Na correria do trabalho pela sobrevivência, traçamos planos singelos: "uma casinha branca de varanda, um quintal, uma janela para ver o sol nascer" — como cantaram Gilson e Joran.
Sonhos modestos, quase infantis, que aquecem o peito. William Soares certamente sonhou algo assim.
Após ano e meio de jubilação, por décadas de ministério fiel como pastor, imaginou o descanso ao lado de Val, sua esposa, numa casa tranquila onde o tempo finalmente desaceleraria.
Não foi o que aconteceu. Dois meses após a aposentadoria, um tumor no cérebro anunciou o fim.
Do ponto de vista frio da lógica humana, parece injusto. William cuidava-se com rigor: alimentação equilibrada, exercícios, o futebol que o levava, toda segunda-feira, de Araras até o UNASP-Hortolândia, onde, entre amigos, corria atrás da bola com o mesmo entusiasmo de sempre.
Um homem bom, pacato, cristão convicto — às vezes teimoso, mas sempre atencioso e educado.
Sempre que ouço “Um Dia Por Vez”, volto a escutar sua voz de tenor, cristalina e serena, no solo que ele fazia no Coral Ministry, reunindo pastores da Associação Paulista Central.
Lembro-me também do batismo da minha filha, num concílio pastoral: William à beira da piscina, foi quem deu início para o canto do hino dos Aventureiros com alegria genuína e empolgando o momento.
É isso: um dia por vez. Podemos sentir tristeza, até revolta, diante de uma partida tão precoce. Mas William viveu exatamente o que pregava.
Foi fiel à mensagem que carregava no peito e na voz. Cantou, viveu e partiu crendo que o amanhã pertence a Outro.
Até a vinda de Jesus, amigo. Sua partida não calou o hino — apenas o passou adiante.


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