O Carmelo ainda queima - e a voz de Elias não pode calar
Por Célio Barcellos
O estudo da lição de hoje, “A Mensagem de Elias”, é intrigante e desafiador. A reflexão me fez medir a distância que ainda me separa da realidade ministerial de um profeta.
O autor da lição entrelaça 1 Reis 18:19-39 com Malaquias 4:5-6. Quando Malaquias aponta para a vinda futura do profeta Elias, anuncia que surgiria outro mensageiro — João Batista — “no espírito e poder de Elias” (João 1:21; Lucas 1:17; Mateus 11:14; 17:12-13).
Ao estudar o texto, não pude deixar de lembrar o primeiro sermão que ouvi na igreja internacional do campus da Universidade Sahmyook, na Coreia do Sul.
A mensagem me atravessou. Uma das frases permanece: “João Batista era um tipo daqueles que proclamam a última mensagem de Deus para o preparo da Segunda Vinda de Cristo.”
Além do impacto no coração, agradeci a Deus por encontrar, do outro lado do mundo, alguém comprometido em transmitir a Verdade Presente — e que enfatizou com clareza a segunda e a terceira mensagens angélicas de Apocalipse 14.
Aquele sábado em Sahmyook me mostrou que, apesar dos desafios de manter a unidade bíblica e teológica da igreja em escala global, ainda haverá pessoas dispostas a proclamar a mensagem de Elias.
Talvez, ao olharmos com atenção o que aconteceu com Elias e com João Batista, tremamos de medo e inventemos desculpas para não avançar na advertência e no preparo do povo para o encontro com o Senhor.
Não sei você. Mas muitas vezes me sinto fraco, desprovido do “espírito e poder de Elias”.
Parece que o Carmelo de hoje — com seus gritos e fogos estranhos — tenta abafar a voz profética, empurrá-la para o esquecimento ou reduzi-la a algo retrógrado, fundamentalista, sem força para os dias atuais.
Falamos com ênfase de modelos e estratégias humanos, de crescimento numérico, como se tivéssemos descoberto a pedra filosofal de um mundo mágico — e com isso imaginamos que já fizemos a nossa parte.
Contudo, quando olhamos de perto a dimensão da missão e os desafios que a cercam, a vergonha chega.
Temos recursos nas mãos para auxiliar outros povos, mas o que mais sonhamos é com a aposentadoria, quando deveríamos estar intrépidos na pregação do “espírito e poder de Elias”.
Se ampliarmos o entendimento da mensagem de Elias e escutarmos Ellen White, o peso aumenta. Ela escreve que
“a temperança em tudo deve ser associada com a mensagem, para converter o povo de Deus de sua idolatria, de sua glutonaria e de sua extravagância no vestir-se e em outras coisas.
A negação própria, a humildade e a temperança requeridas dos justos, aos quais Deus guia e abençoa de modo especial, devem ser apresentadas ao povo em contraste com os hábitos extravagantes e destruidores daqueles que vivem nesta era degenerada” (Conselhos sobre Saúde, p. 72).
Quem lê esse trecho e o reduz apenas à alimentação erra tanto quanto aquele que abusa e ainda desdenha do conselho divino.
Talvez a demora de Jesus se explique, em parte, porque seus mensageiros ainda não compreenderam a mensagem e brigam entre si por egos, primazias e politicagens.
Alguns confundem o evangelho com um projeto político e social do Reino. Outros militam por uma ruptura institucional, como se a solução partisse deles.
Há quem, do ponto de vista humanista, não veja espaço para pregações como as de Elias e João Batista.
E existem os que tanto faz como tanto fez: acostumaram-se ao serviço de consumo, como quem se senta à mesa de um restaurante ou numa poltrona confortável, recebe o alimento e jamais participa da distribuição.
Esse grupo é tão indiferente que prefere ver pessoas perecerem de fome da Palavra a colocar as mãos no arado com seus dons, talentos e experiência adquiridos.
De fato, como disse no início, estou distante da realidade ministerial de um profeta. Vejo situações que parecem ter saído do controle sob a influência mundana.
Qualquer tentativa de discurso ao estilo de João Batista, com a ênfase profética do renascente, move um vespeiro de retaliações, sabotagens e rebeldia.
Ou a igreja de Deus — povo, pastores e administradores — acorda, ou experimentará o Carmelo em chamas em vez de apenas observá-lo, como fez Elias.
Consagremos nossas vidas, irmãos. Permitamos que o evangelho de Jesus Cristo nos conduza ao “espírito e poder" do profeta.
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