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quinta-feira, novembro 19, 2020

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Minha mãe, uma guerreira. Parabéns Dodô!

Por Célio Barcellos

 Hoje é o aniversário de minha mãe. A foto do quadro acima, mostra como era linda quando jovem. Ela não nasceu "menine", mas menina. Em pleno Córrego Grande (sertão de Itaúnas/ES), os meus avós,  certamente ficaram muito radiantes quando a parteira disse: É uma menina! Imagino a festa que fizeram pela chegada de mais um bebê. O nome da minha mãe (Adocélia) foi iniciativa do finado Luiz Italiano, um imigrante das bandas do Lacio que se fixou na localidade. 

No desenvolvimento de sua infância tornou-se moça, jovem e adulta. Louvo a Deus por minha mãe, pois se ela não tivesse sido a mulher formada que menstruara e que engravidara, eu jamais estaria aqui. Eu não gostaria que nenhuma ideologia apagasse de minha memória a mulher, do gênero humano e do sexo feminino chamada Adocélia, simplesmente minha mãe. 

Ela não teve sorte com o matrimônio e nem por isso desistiu da vida. Ainda bem jovem, no meio do mato, casou-se e o marido a abandonou, deixando para ela uma criança (a menina em questão é minha irmã Lucineia. Ela teve 4 filhos, dois quais, minha mãe criou uma e auxiliou nos primeiros dois anos da filha dela. Ou seja: Neta e bisneta) que em uma de suas andanças tomou para criar, mas que não foi homem o suficiente para assumir. Obrigada a sair da sua propriedade de 20 alqueires que ele jogou fora, a minha mãe foi morar na cidade de Pedro Canário e lá trabalhou em restaurantes para sobreviver. 


Minha mãe na cozinha do Restaurante Santo Antônio em Pedro Canário/ES

Por esta ocasião, conheceu um jovem de Nanuque/MG do qual engravidou e surgiu a minha pessoa. Infelizmente, ele não assumiu a responsabilidade como pai e por 40 anos negou a paternidade. Talvez, os grande problemas sociais existentes no país, são devidos às irresponsabilidade de homens que não assumem  suas obrigações. Especialmente, cuidar dos seus filhos. A minha mãe com medo, pois como mãe solteira não sabia a reação dos meus avós. No entanto, louvado seja a Deus que o sr. João Pequeno e dona Valdimira a abraçaram em Itaúnas e cuidaram de mim desde o nascimento. 

Depois de mim vieram Célia e Gabriele (Gabi). Já em Conceição da Barra, a minha mãe tinha que "se virar nos 30", para cuidar da Célia. Como ela não tinha casa, a minha irmã passou um período com a tia Sebastiana. A situação era um tanto humilhante para a minha mãe, pois ela não tinha casa própria. Precisava ficar na casa dos irmãos e de amigos. Com a chegada da Gabi a situação ficou muito difícil. Ela não teve alternativa a não ser entregar a filha mais nova para o tio Zé e a tia Ivanete. Eles assumiram e registraram a Gabi. Biologicamente ela é minha irmã, mas legalmente, é minha prima. 


Minha mãe por ocasião da gravidez de minha irmã 

No contexto da vida, cada ser humano carrega a sua história e com a minha mãe não é diferente. Apesar de toda a sua luta ela nunca desistiu. Lembro-me muito bem de dona Adocélia trabalhando na antiga Fazenda do Zé Albano. Eu ia levar água e a encontrava com as mãos na terra arrancando feijão debaixo de um sol quente. Sei a dureza da roça, pois também experimentei o trabalho braçal. 

Aos 14 anos, sai do convívio dos meus avós e fui morar com a minha mãe. Nesta ocasião, ela já trabalhava numa república em que moravam os jovens: Elmo Camata, Titony Barcellos Passos, Rubens Magno, Jorge Debaker e outros que apareciam por ali. A princípio, morávamos na Rua São Lucas, numa casa de madeira ao lado do sr. Adauri e dona Ana Ferreira. Foi um período legal em que fizemos amigos e também aprendi a tocar violão. 


Célia e a prima Mauriza na casa do Titony

Quando o Titony decidiu ir para Vitória, ele nos cedeu a sua casa para que morássemos sem pagar um centavo.  Eu e minha irmã ficamos muito felizes. Afinal, fomos morar no Centro, à rua Graciano Neves, 167. O Titony é um cara tão próximo da gente, (na verdade ele é até parente distante do meu avô), que ensinou a minha irmã a pedalar como se fosse o pai dela. Também saiu de Vitória para ir prestigiar a minha formatura do Ensino Médio. Hoje cedo, ao telefonar para dar parabéns à minha mãe, ela me relatou que o Titony havia ligado ontem para lhe dar os parabéns. Ele nunca esquece da minha mãe. Foi ele quem apelidou a minha mãe de Dodô. 

Esse período na casa do Titony foi tão importante que a minha mãe aproveitou as economias para construir a própria casa em Conceição da Barra. Com o dinheiro da aposentadoria, a minha mãe comprou o terreno. E com os auxílios do meu trabalho e o da minha irmã, construímos uma casa. Ela trabalhava na Lealtex e eu na Casa Lotérica. Foi muito suado, mas temos uma casa simples a 600 metros da Praia de Conceição da Barra. 


Dodô com uma de suas netas

Sou grato a Deus por Ele ter colocado pessoas para auxiliar a minha mãe. Antes desse período em Conceição da Barra, ela foi contemplada com um terreno em Itaúnas por intermédio do finado Olinto Leite da Silva. Eu ainda morava com os meus avós, mas me lembro ainda hoje, de quando o Astor Vasconcellos, foi ajudar a construir a casa. As medidas eram: 6x5. O Astor é como se fosse da família. Juntamente com a Marta, cuidam da minha mãe como se fosse alguém da sua própria casa. Eu não tenho como agradecer a todas as pessoas que auxiliaram e ainda auxiliam a minha mãe. Que Deus retribua em dobro para eles e para a sua descendência. 

Falar em descendência, se a minha mãe não fosse mulher, eu não estaria aqui. Deus criou as coisas perfeitas para que pudéssemos dar continuidade à vida ( Gn 2:21-24). Acredito no Gênesis e na criação literal descrita em suas páginas. Poder celebrar os 84 anos de minha mãe é motivo de alegria, ainda que eu esteja distante dela. Louvo a Deus por minha mãe ter nascido menina e não menine! Mesmo que muitos irresponsáveis não assumam a paternidade, a obrigação humana é zelar pela preservação da raça, uma vez que o "macho" e "fêmea", formam a humanidade. 

Minha mãe prestigiando  minha família por ocasião da formatura




2 comentários:

  1. Que história linda!
    Parabéns Dona Dodô
    Amo seu filho ❤️ Pastor Célio
    Parabéns 👏👏👏👏👏👏

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