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sábado, julho 04, 2020

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O Éden será melhor


Por Célio Barcellos
Nos pôr do sois de minha infância, o anoitecer me assustava. A inquietude de minh’alma se acalmava em meu lar. Sob a luz da lamparina, os meus vovós queridos se punham a conversar. Éramos só nós três, com a companhia dos anjos é claro. A minha vovó contava estórias que me faziam viajar. O meu vovô, discorria os fatos do sertão de nossa terra.
Eram altos papos nos bancos de madeira, aos sons dos grilos, sapos e bacuraus. Com  a janela aberta para o norte, as estrelas pareciam baixar até nós. O espetáculo na escuridão e a segurança do meu lar, dissipavam o meu temor. Vovó, atenta como sempre, além de  contar estórias, trazia o meu jantar. Normalmente era peixe, que juntos, nos esbaldávamos em moqueca, fritos ou assados.
Lembrar de Itaúnas, me faz pensar no Éden. Naquela época, de inocência juvenil eu nem me dava conta do mundo cruel que conheço hoje. Em meio a tantos problemas no País, nas famílias e na igreja, lembrar de minha infância é retornar no tempo e resgatar valores que o mundo ao meu redor insiste em querer tirar de mim.

Naquela simples casa de estuque, de assoalho de madeira e com fogão à lenha,  desfrutei de uma infância simples e repleta de inocência. Até à morte da tia Ortiz, eu dormia na esteira. Em seguida, herdei a sua cama e tempos mais tarde, passei a dormir numa maior, doada pelo Sergino e a Elza, ele policial e ela professora. Elza era filha do Pernambuco, um Sr. que residia próximo a antiga Fazenda do Zé Albano.  
  Os meus avós eram a minha confiança e suporte contra o medo. Lembro-me que em certa noite acordei assustado com medo da escuridão. Parti em disparada para o quarto do casal. Dei um pulo no meio dos dois e eles se assustaram. Porém, ao  perceberem que eu estava com medo, não me recriminaram e nem me expulsaram, mas, me enclausuraram ao cobertor.
Apesar da noite me assustar, lembro-me dos momentos que passei com os meus saudosos avós. O nosso veículo de informação era um pequeno rádio, no qual ouvíamos a Voz do Brasil e diversas outras faixas naquele aparelho. Uma Rádio que nunca me esqueço era a Sociedade da Bahia com o seu jargão: “Sociedade… Salvador Bahia…”. A partir dela, sempre quis um dia conhecer Salvador.
Essa Rádio era tão marcante que certa feita apareceu em nossa casa uma soteropolitana (alguém natural de Salvador). Foi entre 1986 e 1987, por ocasião da primeira visita da Tia Maria a Itaúnas desde a sua ida para Belém. Além do primo Ronaldo, que na época tinha 17 anos, ela chegou com a Vera. Uma jovem de Salvador que queria conhecer o Espírito Santo. A minha Tia, sem conhecer a Vera, realizou o seu sonho na rodoviária. Dificilmente, alguém faria isso atualmente. 

Pois é… tenho boas recordações dos tempos de menino. Apesar da noite me assustar naqueles idos, ela também me lembra confiança. Além do relato acima, também havia um momento muito especial quando a vovó me solicitava para ler o livro Vida de Jesus da escritora Ellen G. White. Era um livro bem ilustrado que ela ganhou do Tio Izael. Hoje, compreendo tratar-se de uma das melhores biografias sobre a vida do nosso Salvador.
A despeito do livro, anos mais tarde, tornei-me um Colportor (alguém que vende literatura de casa em casa) e me deparei com o Vida de Jesus, livro que marcou a minha infância. O garotinho medroso que sonhava em conhecer Salvador, viajou de norte a sul do País divulgando literatura, deixando livros nas casas de muitas crianças semelhantes a ele. E atualmente, como pastor, leva esperança através do evangelho.
Como mencionei, falar da minha infância em Itaúnas é lembrar do Éden. O Éden eu nunca vi, mas sei que será infinitamente melhor do que Itaúnas, pois nele, não haverá pôr dos sois, medo e nem saudade de pessoas que amamos. Haja a vista, que a promessa de reencontro se concretizará, pois os mortos em Cristo ressuscitarão para viver como família a contar histórias lindas e infindáveis (1Ts 4:13-17).




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