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domingo, setembro 22, 2019

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Jornada ao lar

Por Célio Barcellos
Acabei de assistir ao filme, "Lion - Uma Jornada Para Casa”. Ele narra a história de um garoto que se perde numa cidade da India e é adotado por uma família australiana. 25 anos se passaram quando Lion decide ir numa busca desenfreada atrás do seu passado. Ele reencontra a sua mãe que nunca perdeu a esperança de encontrá-lo. 
Confesso que cai ao prantos de emoção. Precisei ir para o banheiro chorar, pois não queria acordar a minha esposa e meus filhos que já estavam dormindo. Não tive como não cair em lágrimas, pois me lembrei da minha vida simples com o meu vovô e minha vovó em nossa casinha  de pau-a-pique, na pequena Itaúnas/ES. Lugar que amo e todos os anos vou para rever parentes e amigos.
Cenas nítidas da minha infância me vieram à memória. Até mesmo o momento mais difícil que tomei, quando arrumei a minha mala de couro e partir aos 14 anos para Conceição da Barra/ES, onde fui morar com a minha mãe. Da rua Maria Ortiz Barcellos onde eu morava até a Av. Bento Daher, para tomar o ônibus, era um espaço aberto onde hoje estão os imóveis da família Maia.
Com aquela mala de couro, eu olhava para trás e via a minha vozinha na janela. Ela chorava, pois não imaginava que eu tomaria aquela decisão. Tomei aquele ônibus com o coração partido e também aos prantos. Eu me lembro muito bem que ela ficou na janela até o momento em que entrei no ônibus da então Viação Nossa Senhora da Conceição, atualmente, Mar Aberto. 
Apesar de minha vó brigar comigo, ela me amava. Me tinha como filho, pois me criou desde pequeno. Eu nunca deixei de ir ver os meus velhinhos, mas nunca mais voltei para morar com eles, somente para passear. Tenho muitas saudades deles, pois a morte os separou de mim. Assim como você que deve estar lendo esse texto, também sente saudades de alguém que amava e que não mais o tem. 
Valdemira e João Pequeno, meus avós
Cada um produz a sua história e Deus tem me dado a oportunidade de escrever a minha. Até aqui me ajudou o Senhor, como bem disse Samuel (1Sm 7:12). Sei que se os meus avós estivessem vivos, eles sentiriam muito orgulho de mim. Falo assim, pois eles já sentiam quando mesmo eu morando na Barra, eles demonstravam felicidade por eu estar bem. Todo início de mês quando o vovô ia receber o seu pagamento, ele passava na Casa Lotérica onde eu trabalhava e ficava um tempão conversando comigo. 
Não tem como não chorar, pois a saudade dói demais. Estou aqui aos prantos enquanto escrevo esse texto. Ele se achegava ao balcão e à medida em que as pessoas iam se aproximando para fazer as suas apostas ou pagar alguma conta, ele todo orgulhoso dizia: “Esse aqui é o meu neto”. Eu abria a porta, ele entrava e se assentava próximo à mesa. Ah, Senhor! Quanta saudade eu sinto daquele casal que fez tudo por mim!
A figura paterna que tenho em minha mente é a do meu vovô e eu não quero nunca perder isso. Nós íamos na mata tirar lenha para o preparo do alimento e também montávamos armadilhas para caçarmos; atravessávamos o campo de futebol e como resultado ficou um atalho, onde todos passavam. O campo era marcado por aquele risco. 
A minha vó me ensinou a pescar e íamos a longas distância, pois ela era apaixonada por pesca. Vivíamos felizes naquela simples casa de estuque, assoalho de madeira, filtro e talhas de barro, fogão a lenha, lamparinas e velas e muitas vezes esteira como colchão. Nos momentos em que eu tinha medo, corria e dormia entre os dois, onde eu encontrava a segurança necessária. 
Agradeço muito a Deus pelos 14 anos que vivi com os meus avós e os 7 com a minha mãe, pois foram anos que jamais me esquecerei, uma vez que os meus avós e minha mãe fizeram o melhor que puderam para que eu alcançasse os meus objetivos. Toda decisão deixa marcas. Foi assim quando sai de Itaúnas e também quando deixei Conceição da Barra em busca dos meus sonhos. 
Adocélia, minha mãe
       Graças a Deus tenho a minha mamãe e sinto saudades dela. Sei que ela também sente de mim. Mas na vida, escolhemos a nossa jornada e nem sempre ficamos próximos dos nossos. A minha mãe mora só, mas não está sozinha, pois tem Deus, amigos e parentes próximos que a tratam de forma especial. Nós nos falamos sempre ao telefone, porém, não vejo a hora do verão chegar e poder estar com ela.
Como falei, se os meus avós estivessem aqui, eles ficariam felizes e orgulhosos de mim. O meu desejo é retornar para a minha terra e passar os meus últimos anos lá. Sei que a sepultura é o fim de todo ser humano. No entanto, aquele garoto que saiu com a mala de couro, não se contenta somente com esta terra, mas com a esperança do porvir, pois apesar da passagem nesta terra deixar muitas saudades, Deus prometeu enxugar dos olhos toda lágrima (Ap 21:4). E ainda mais! Haverá ressurreição e reencontros (1Tess 4:13-16), pois nosso jornada ao lar não se limita à terra, mas em direção ao Céu. 

4 comentários:

  1. Caro Pr. Celio, o filme que faz referência realmente ė um filme emocionante e confesso, derramei muitas lágrimas ao assisti-lo. Sua experiência também é emocionante. Rogo a Deus que lhe dê sabedoria para usar seus talentos em continuar levando pessoas a Cristo, que é o único que nos satisfaz. Que lhe dê sabedoria para não ficar na zona de conforto, mas antes usar seus recursos para levar muitos Celios à luz da verdade.

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  2. Parabéns! Memórias !
    Quem vive cada momento com dedicação e carinho não necessita de palavras rebuscadas para externar o mais puro sentimento de amor e saudades!
    As palavras fluem, jorram como de um ribeiro, saem do íntimo regadas de lágrimas, mas lágrimas que expressam saudades e muito amor.

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  3. Meu amigo. Me vi na sua história. Sua história é a minha. Só um pouquinho diferente. Abç sdd

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  4. lindo texto! realmente nos faz reviver o passado, saudades da adolescência época Boa.

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