tempo de oportunidades

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terça-feira, dezembro 05, 2017

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O coveiro que se foi


Por Célio Barcellos

Na manhã de terça-feira, (05/12/17), tombou à sepultura o grande amigo Juca, o Jucão. Ele que por anos foi o coveiro responsável do cemitério da Vila de Itaúnas, teve o seu corpo enterrado no mesmo local onde praticamente trabalhou a vida inteira. Infelizmente não chegou a desfrutar devidamente da merecida aposentadoria. 
Juca era filho do sr. Osmar e dona Dorota. Um cara pacato, gente boa, que nos momentos de folga estava deitado em sua rede, na varanda da casa. Ele gostava muito das brincadeiras do Ticumbí, atração folclórica que ocorre todos os anos por ocasião da festa de São Benedito.
Quando criança nas ruas da minha pequena Vila, eu via o Juca cuidando do nosso lugar. À época, de posse de uma estrovenga, ele trabalhava podando a grama e retirando as ervas daninhas das ruas de Itaúnas. Tempo depois, passou a desempenhar a função de coveiro.
Nas minhas lembranças, está o Juca, dona Zulmira (ex-esposa) e os dois filhos - Kaká e Nina. Sem entrar em muitos detalhes, uma vez que a separação ocorreu há muito tempo, o fato é que, o trato do Juca com os filhos era impressionante. Os recursos naturais que a Vila oferecia, rio, dunas e mar, eram muito bem aproveitados por ambos.


Toda vez que vou a Itaúnas, procuro visitar as pessoas. Dentre as muitas visitas, sempre dava uma passada na casa do Juca. Infelizmente, no próximo verão, já não verei mais o meu amigo. Também não verei outros, tais como: Bernabeth Maia, Zé Lage, Graciolino e tantos outros que já partiram.
Para finalizar, toda vez que eu o via, eu dizia: fala Tekão! Essa fala, se refere a um incidente que ocorreu em minha rua - na Maria Ortiz Barcellos. Foi o seguinte: Próximo à casa do sr. Lourenço e dona Leozina, nas imediações do Zé da Barraca, por volta das 20:00, eis que o chão começa a tremer. Eu estava bem perto. Era como uma tropa de cavalos em disparada. 
Naquele momento, aqueles marmanjos saíram no “tapa”. Que eu me lembro, estavam: Gaúcho e Teko filhos do sr. Didi e dona Rosa; um parente do Zé da Barraca, à época casado com Claudia, irmã da Angela (ex- de Carlinho Cabeção), Juca e mais um punhado. Rapaz! Foi tanta pancadaria que me assustei. Lembro quando o Juca mandou uma canhota de mão aberta na cara do Têko. Mas um tapa caprichado! Ao final daquela bagunça, eis que o Juca diz: Valeu Tekão! Daí essa frase e as gargalhadas do Juca.
É isso ai! Como bem disse Milton Nascimento: “Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito, dentro do coração”. Valeu Jucão!

5 comentários:

  1. Lindo texto.Grande Juca, Ficará na memoria!!

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    1. Obrigado Júlia! Agradeço sua apreciação.

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  2. Só esqueceram de falar que nos últimos 10 anos de vida dele,ele amou e foi amado por uma nativa que retornará para vila depois de muitos anos fora. Rosilda dos santos Gomes quem esteve com ele ate o fim de seus dias.

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    1. Prezada Elisa! Agradeço a sua lembrança. Como eu não tinha essa informação, postei somente o que era do meu conhecimento. Mas faço aqui o adendo parabenizando a Rosilda por ter cuidado do amigo Juca. Que Deus abençoe a todos!

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  3. Olá Elisa! De fato eu não tinha muito conhecimento dessa informação. Mas obrigado por sua observação.

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