A peregrina que descansou na esperança

 


Por Célio Barcellos

O poeta Augusto dos Anjos, mestre dos versos sombrios sobre a morte e o sofrimento, confessou em Psicologia de um Vencido que o ambiente fúnebre o deixava “profundissimamente hipocondríaco”.

E quem de nós não se sente assim — ansioso, transtornado, quase esmagado — diante da morte de um ente querido? 

Cícero, o grande orador romano, já observava com sabedoria: “Quem há, pois, que não chore a morte dos seus, em primeiro lugar pelo fato de que os considere privados dos benefícios da vida?”

Por mais firme que seja a nossa esperança na segunda vinda de Cristo, a morte ainda nos fere profundamente. 

Porque a vida não é um detalhe passageiro: é dom sagrado recebido das mãos do próprio Deus, o privilégio sublime de existir, amar e ser amado.

Na madrugada deste domingo recebi a triste notícia do falecimento da irmã Rita Rodrigues Peres, mãe do Pr. Moisés Peres, atualmente na igreja Central de Ipatinga-MG. 
Amava a Bíblia e mesmo com alzheimer era capaz de recitar salmos 

Lembro-me muito bem da irmã Rita dos tempos em que cursávamos a faculdade no Seminário Adventista de Teologia (SALT/BA). 

Era uma pessoa simples e profundamente dedicada às coisas de Deus. Na igreja do Campus servia como diaconisa. Mostrando o seu desprendimento em servir à Casa de Deus. 

O que desde os tempos do Rio de Janeiro desempenhou funções para o serviço nas igrejas, Central do Rio, Méier e Botafogo. 

Naquela época ela acompanhava o filho Moisés durante os estudos teológicos. Na verdade, havia deixado o Rio de Janeiro e migrado para a Bahia apenas para estar perto dos filhos Moisés e Abigail.

Quando minha mãe esteve nos visitando e tomou a decisão pelo batismo, a irmã Rita, na função de diaconisa, acompanhou minha mamãe em cada detalhe até o tanque batismal. 

Aquela presença silenciosa e generosa ficou gravada em mim.
Reencontro de Rita com minha mãe Adocélia na Campal de Morobá/ES

Natural do Rio de Janeiro, a irmã Rita fez questão de proporcionar educação adventista aos três filhos — Sheila Cristina, Moisés Thiago e Abigail Peres. 

Eles estudaram nos colégios adventistas de Botafogo e da Tijuca, e também nos internatos IPAE e IAENE.
 Sheila Cristina, Abigail, Moisés, Rita e os netos

Moisés colou grau em 2006 e recebeu o chamado para o Rio de Janeiro. Eu colava grau no ano seguinte e seguia para o Espírito Santo.

Alguns anos depois nos reencontramos, ambos já no ministério pastoral e servindo na mesma Associação. E lá estava novamente a irmã Rita, morando com o filho. 

Naquele período eles residiam na cidade de Ecoporanga, e junto deles estava a vovó do Moisés, a Sra. Sebastiana Bugalho Rodrigues, mãe da Rita. 

Infelizmente a vovó Sebastiana partiu. Assim que soube da notícia, fui até o local para oferecer suporte e ministrei a cerimônia.

Algo que me tocou profundamente foi a generosidade dos irmãos pastores Adilson e Atílio Menegazzo.

Ambos autorizaram o sepultamento da vovó no jazigo da família, à semelhança do que fez José de Arimateia por Jesus.
Moisés, sua esposa Nádia e a vovó Sebastiana

Naquela circunstância fiquei refletindo sobre a dinâmica ministerial. O jovem deixa sua terra, sai do meio do seu habitat, parte para o Seminário e, depois, já não tem mais pátria. É uma vida de peregrino.

Agora, no Leste de Minas, o pastor Moisés sepulta a própria mãe longe da terra natal. O que consola é a bendita esperança do retorno de Jesus, quando os redimidos enfim voltam de uma vez para casa. 

O novo céu e a nova terra serão os endereços permanentes daqueles que serviram a Cristo. A irmã Rita descansou nessa certeza. E é isso que conforta. 

Ela foi uma mulher fiel, amável, virtuosa e deixou uma prole formada em cinco gerações de adventistas. 

Que o Senhor Deus, rico em consolação, abrace a família Peres neste momento de dor. 
Moisés, Rita, Abigail e Isac 

Que a presença do Altíssimo alcance cada membro, trazendo a paz que excede todo entendimento e a força para seguir carregando a memória daquela que, com coragem e amor, lutou pelos filhos — e que nunca foi por eles abandonada.













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