Madrugada com Mamãe
Por Célio Barcellos
Neste momento escuro da madrugada, enquanto o sol se prepara para varrer o breu e despertar a vida, decidi escrever sobre as mães. Minha mamãe me veio ao pensamento. Glorifico a Deus pela existência dela, que já se aproxima dos 90 anos.
Ainda pela manhã, pegarei o telefone para felicitá-la e conversar um pouco. Contudo, sei que, pela finitude da vida, muita gente se levantará hoje com os olhos marejados e o coração pesado de saudade, sem poder mais abraçar, beijar ou dizer à mamãe o quanto a ama.
Enquanto escrevo estas linhas na madrugada silenciosa, um trecho do poema “Meus Oito Anos”, de Casimiro de Abreu, surge em minha memória e aprofunda a nostalgia da infância:
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã.
Confesso que, no período descrito pelo poema, eu não tive a presença constante de minha mãe, nem as carícias de minha irmã.
Filho de mãe solteira, fui criado pelos avós. Minha irmã cresceu entre a casa da tia Sebastiana e a do tio Zé.
Mesmo assim, nas raras vezes em que nos encontrávamos, conseguíamos tirar um tempo para brincar. Mas brigávamos bastante.
Até que, aos 14 anos, saí da casa dos meus avós em Itaúnas/ES e fui morar com minha mãe e minha irmã numa casa de madeira em Conceição da Barra/ES. Minha irmã e eu, trabalhamos desde muito cedo e auxiliamos a mamãe na construção da nossa casa.
Não tive uma infância ruim. O brincar com os amigos e os encontros com os primos nas férias criaram um universo infantil saudável e cheio de peculiaridades.
Ainda assim, em alguns momentos eu me isolava num canto escondido e chorava pela falta dela. Aquilo doía de um jeito que parecia não passar. As lágrimas e os soluços eram minha terapia; neles, Deus se manifestava para consolar a saudade.
Nada, porém, se compara ao que viveu Frederick Douglass, ex-escravo americano e um dos maiores abolicionistas dos Estados Unidos.
Como o Dia das Mães está próximo ao 13 de maio, vale a pena assistir ao relato emocionante dele sobre a mãe. "Nunca vi o rosto de minha mãe à luz do dia", disse Douglass.
Imagino quantas crianças, neste exato momento, estão sem as mães e sem ninguém da família para ampará-las.
Quantas vivem em constante perigo, até mesmo sob a mira de predadores, sejam eles de dentro ou de fora de casa. Eu, ao menos, tive os meus avós, que me criaram com bondade e me deram um lar.
Por isso, minha ligação com eles sempre foi muito mais forte do que com minha própria mãe. Devido ao antagonismo provocado pelo pecado, compreendi logo cedo as discussões entre eles provocadas por ciúmes por minha causa.
Apesar de tudo, carrego muita gratidão por meus avós e também alguns arrependimentos por não ter aproveitado mais aqueles momentos.
Na juventude, os amigos (que muitas vezes deixam de ser amigos) tomam o lugar da família e, na rebeldia, passam a parecer as pessoas mais importantes do mundo.
Hoje não poderei estar fisicamente com minha mãe, mas procuro sempre colocá-la no carro e passear com ela nos momentos de folga com minha família.
No mês passado, por exemplo, fomos a Embu das Artes. Imagine uma senhora de 89 anos com a disposição de uma garota.
É isso. Se você ainda tem sua mamãe, aproveite cada momento, pois a vida é breve. E se, porventura, você já não a tem mais consigo, valorize sua memória, porque, na realidade da existência, você é o príncipe ou a princesa que perpetuará o reinado da família.
Caso não tenha tido um bom relacionamento com sua mãe, ou talvez nem a tenha conhecido, ou tenha sido abandonado por ela, e tenha sobrevivido graças a um orfanato ou a alguém que Deus colocou em seu caminho, procure perdoá-la, perdoar a si mesmo e construir um lar repleto de amor e compaixão.
As mágoas e os dias cinzentos precisam ser preenchidos pelo amor do Eterno. Lembre-se que aquilo que homem planejou para o mal, Deus transforma em bem (Gênesis 50:20).
Enquanto finalizo esta crônica, olho para a porta aberta e vejo a claridade se aproximando.
Levanto-me, vou até a sacada e dirijo o olhar para o horizonte. Os pássaros e as maritacas voam e cantam, celebrando o novo dia. Um dia cinzento, mas nada que o vento do Espírito e o Sol da Justiça não possam dissipar.
Percebo, então, que Deus não é apenas o Pai. Ele é também aquela mãe que se preocupa com cada detalhe.
Um feliz Dia das Mães!
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