Da fartura à fome: o depoimento de um venezuelano que fugiu da opressão
José de Las Neves é natural da Venezuela e atualmente está no Brasil em busca de oportunidades para dias melhores. Ele concede esta entrevista para o Tempo de Oportunidade e relata o drama de um povo escravizado por um sistema político que prometeu igualdade e entregou miséria, violência, morte e divisão da nação.
Como teve início o processo do regime político na Venezuela?
Isso teve um alcance onde começaram a entrar muitas coisas. Foi a bruxaria na Venezuela, onde começaram a entrar a macumba, todas as bruxarias cubanas, e isso foi o que dominou parte do país. Nós fomos praticamente, com tudo o que foi Fidel Castro e Chávez, trazer outras noções da bruxaria que existe em Cuba.
Há algumas que são tão fortes que começaram a dominar até os jovens. Os jovens começaram a acreditar nisso a ponto de ir a cemitérios, retirar os ossos dos mortos e levá-los até em suas casas.
Não sei te explicar, mas essa coisa espiritual negativa foi o início da derrocada da Venezuela.
Eles conseguiram atrair os jovens para esse tipo de espiritualidade e para o pensamento socialista. E assim foram também trazendo pessoas de uma certa idade.
Antes, nós em Caracas podíamos viver todos juntos. De repente veio a parte da desunião, onde ao invés de somar, começaram a dividir.
Meu vizinho não tratava mais comigo porque ele tinha um pensamento e eu tinha outro. De repente, até a liberdade religiosa foi afetada.
Se, antes, católicos, evangélicos, Testemunhas de Jeová e tantas outras religiões mantinham boa convivência, a partir do socialismo, isso foi interrompido na Venezuela.
Enquanto nós vivemos 20 anos todos sempre juntos, em uma só amizade, em um só carinho. O socialismo provou divisão e provocou inimizade entre as pessoas.
Como se deu essa divisão na sociedade?
Essa divisão teve início porque eles começaram a colocar na mente da população que tínhamos que ser todos iguais. Isso é utopia. Não tem como sermos todos iguais. Porque se você trabalha forte, levanta todo dia às 5 da manhã para ir trabalhar, se porventura, eu, que não trabalho, não posso ter o mesmo que você. Se você trabalha todos os dias e eu acordo ao meio-dia, eu não posso ter o mesmo que você tem. Se você trabalha forte, você vai ter um bom carro. Eu não posso ter um bom carro porque eu não trabalho. Então, ao ver o que você tem, o que adquiriu com esforços, vou querer pegar para ter igualdade. Não há como existir igualdade dessa forma, porque cada pessoa tem um propósito de se fazer na vida.
A concorrência deixou de existir e o Estado se tornou mais opressor?
Exatamente. Se você trabalhou forte para ter duas casas, para ter suas coisas, então você não podia ter duas casas, porque você tinha que ter uma. Eu, que não trabalhei, tinha que pegar uma casa sua para mim. Não pode ser. Eles faziam isso com a propriedade dos outros. Com a deles, não. Se você tinha dois televisores, tinha que dar um ao outro. Se você comprava três televisores porque tinha três filhos, um para cada quarto, não podia. Tinha que dar os televisores para as outras pessoas.
Para criar um sistema político como esse, foi preciso cooptar instituições como Exército e Judiciário. Como eles conseguiram?
Dando muita plata. Tudo entra por aí. Eles começam a dar dinheiro: “Você vai comprar um carro? Eu vou te dar para comprar o carro. Você vai vir aqui? Eu vou te dar.” Mas você já sabe que em cinco anos eles vão pegar tudo o que tem que pegar e você vai ficar dentro desse mesmo ciclo vicioso, onde não tem oportunidade para sair. Eles deram coisas, deram dinheiro, deram crédito e as pessoas acharam que o socialismo era algo bom. Depois jogaram o país na miséria.
O senhor trabalhou anos para se aposentar, mas precisou sair do país. Como está sua situação hoje? Quanto recebe de aposentadoria?
Sempre trabalhei forte para obter tudo o que era meu. Minhas conquistas foram feitas durante quase 30 anos de trabalho. Esse tempo era para, quando eu tivesse uma idade, poder viver bem, com minha casa e todas as minhas coisas. Mas quando essa gente pegou tudo e estruturou o governo, imediatamente começaram a pegar o dinheiro dos seguros dos aposentados. Eles roubaram tudo e os aposentados ficaram sem pagamento. Um aposentado recebe cento e vinte bolívares. Isso não chega nem a vinte reais. Não dá nem para comprar cinco quilos de arroz de qualidade.
Como eles dividiram a sociedade? E qual foi o papel das igrejas no país?
Houve um pastor que se implicou com isso e foi às eleições com Maduro. Quando todo mundo pensou que ia dar o voto ao pastor, ele também estava vendido. Muitos pastores saíram do país: uns para a Argentina, outros para os Estados Unidos. O país ficou mais desolado. Havia gente preparada para falar sobre isso, mas todo mundo caiu. Muitos membros acabaram escolhendo o lado do socialismo.
As pessoas passaram muita fome e miséria? O senhor viu mortes, agressividade do Estado?
O socialismo agarra o ser humano pelo estômago, pela fome. Eles se apropriam da comida e de tudo. Uma pessoa não pode comprar 5 quilos de arroz porque o governo não deixa. Tem que fazer fila. Uma pessoa compra 2 quilos de arroz numa fila que antes ninguém fazia. Agora você faz fila para comprar 1 quilo de arroz, 1 quilo de macarrão, um frango… Foi o momento de maior fome na Venezuela. Trouxe muitas separações de famílias, porque todos tiveram que sair para não deixar os filhos morrerem de fome.
Que conselho o senhor daria aos jovens que hoje se encantam com o socialismo?
O socialismo traz pobreza. Quando pensamos no socialismo crendo que vamos ter igualdade, isso é o que traz pobreza. A pessoa que tem o socialismo na mente tem uma mente pobre. Não tem mente para progredir, para ir até onde é preciso ir. São como galinhas dentro de um galinheiro: chegam até a cerca, mas não passam dela. Na união está a força. Cada pessoa, unida com sua família, tem que buscar o melhor para hoje, para amanhã e para o futuro.
Qual sua expectativa para o futuro da Venezuela?
Espero que tudo possa se desenvolver de uma maneira diferente, que possamos voltar ao país e reconstruí-lo. Porque o país está em quebra total. Um país que não produz não tem opção. O socialismo não produz. O socialismo é como um câncer: corrói, corrói e corrói o que é pequeno para que a cúpula grande sobreviva. Nem todo mundo é socialista. Socialistas são aqueles que estão dentro desse grupo.
O que o senhor vê no Brasil hoje? Quais oportunidades e riscos o Brasil corre de repetir o erro da Venezuela?
Um país sem centavos é um país morto. O Brasil tem centavos, tem tudo. Vocês não sabem quanto custa um 0,00, quanto custa "uma pula" (ou "um na pula" - expressão venezuelana informal para uma quantia mínima, quase nada, tipo “um centavinho” ou “quase zero”). Porque um 0,00 custa a liberação total de um mercado. Nós chegamos a ter tudo isso e éramos ricos. Não sabíamos e caímos nessa pobreza de agora não termos nem um centavo.
Conselho final para quem sonha com o socialismo:
Cuidado. Olhem o que aconteceu conosco. O socialismo não é igualdade, é miséria, divisão e fome. Mantenham a liberdade, a produção e a união.
Aqui vão recomendações de livros para melhor conhecimento do drama de pessoas perseguidas por regimes opressores:
Prisioneiros na China - de Bradley Booth / Vinnie Ruffo)
Mil Cairão ao Teu Lado - de Susi Hasel Mundy e Maylan Schurch, ambos publicados pela Casa Publicadora Brasileira (CPB) - www.cpb.com.br
Esses livros são histórias reais de fé, perseguição, provações e livramentos divinos em contextos de regimes opressores (comunismo, nazismo etc.). Eles enfatizam fidelidade a Deus em meio a sofrimento, fome, prisão e guerra.
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