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terça-feira, julho 14, 2020

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Roberto Jefferson e o "Ministro Adventista"

Por Célio Barcellos
A situação política nacional está mais para um embate tribal do que para uma dialética saudável e democrática. A bonita palavra de origem grega chamada democracia parece ser mal compreendida no Brasil. As coisas tem chegado a um nível tão perigoso, que, xingamentos, ameaças de morte e tentativas de assassinatos têm permeado uma ávida polarização desde a última eleição nacional. 
A iniciativa do presente texto surgiu após uma publicação de Roberto Jefferson em seu twitter (12/07) respondendo ao apresentador e pretenso candidato a presidência da República, Luciano Huck. As palavras de Jefferson diziam o seguinte: “Não gosto de polêmicas, mas estou engasgado com as parlengas e lucubrações de Luciano Huck sobre o novo Ministro da Educação, cristão adventista…”.
Na verdade, Jefferson equivocou-se ao mencionar adventista, pois Milton Ribeiro, além de professor é pastor presbiteriano. É possível que Jeferson conheça a excelência dos adventistas na educação, uma vez que esse grupo religioso, possui a maior rede de educação confecional não católica do mundo. Porém, o que chamou-me a atenção foram algumas reações ao equívoco do Jefferson:

- “Ele é pastor presbiteriano… calvinista como todos os reformados nada de adventista… sem falhas de dados por favor”.
- Alguém em defesa disse o seguinte: “Mas você tem alguma coisa contra os adventistas?”
- E a resposta: “Sim, o adventismo é uma das piores seitas que o inferno já criou nessa terra”. 
- Novamente a jovem responde: “Com todo respeito! Pesquise e estude um pouco mais sobre os adventistas, tenho certeza que Deus lhe mostrará a verdade. Deus o abençoe ricamente.”

Após essas trocas de palavras surge uma pergunta: Qual a diferença entre uma polarização político-partidária e uma polarização político-religiosa? Praticamente, nenhuma, exceto no livro base de ambas. A Bíblia Sagrada, como Constituinte do Céu para a Terra e a Constituição Federal, que abarca os valores do ser humano para um entendimento e convívio pacífico entre as partes. Valores, dentre os quais, o da Liberdade Religiosa, bem enfática na Carta Magna brasileira como um bem universal e inalienável. 
O maior entrave para qualquer relacionamento humano, seja ele na esfera política ou religiosa, chama-se egoísmo. De acordo com Ryan Holiday, parar de contar vantagem e investir mais no objetivo proposto pelo trabalho com o intuito de transformar o mundo é o segredo para o bom funcionamento das coisas. Neste caso, uma pitada de altruísmo e real respeito às diferenças seriam muito bem-vindos no Brasil.
Imagem: revistasuperinteressante 
Partindo deste princípio e avaliando a polarização atual, pode-se imaginar que, se, um partido religioso assumir o poder com a melhor das boas intenções, ele torna-se tão perigoso quanto as lideranças ideológicas à frente do Estado Laico. Isto seria à semelhança  de Roma religiosa que perseguiu e matou ou à semelhança do próprio protestantismo reformado em que calvinistas, anabatistas e puritanos não se bicavam. 
Particularmente, apesar de me diferenciar do atual ministro da educação no que se refere a crenças religiosas, não tenho nenhuma dificuldade em aceitá-lo à frente do ministério. Bem como, não tive dificuldade em aceitar o resultado das urnas, mesmo tendo justificado o meu voto. Assim, como governos anteriores passaram, o atual, também passará.
O que ocorreu com o Jefferson ao tuitar foi um lapso de memória sem nenhuma intenção de causar qualquer intriga religiosa. O problema, são os militantes religiosos que se enveredam para um clima perigoso à semelhança de Tutsis e Hutus, em que as etnias estão acima do convívio social e respeitoso. Me parece que as ideologias de direita e de esquerda no Brasil estão à semelhança dos ruandeses nos anos 90.
Imagem: El País
Assim sendo, dentro de um contexto da liberdade religiosa, chamar o outro de “seita do inferno”, me parece, o mesmo que cunhar a pecha de nazista, facista e genocida, a alguém sem o ser. Claro que num sistema democrático e de liberdade de expressão, as pessoas possuem o direito de dizer o que pensam e de serem responsáveis pelo que dizem. 
      O bom seria que ninguém fosse julgado pela cor da pele e das suas crenças religiosas, mas fossem aceitos por suas qualificações e virtudes. Até porque, se essas coisas fossem critérios para impedir alguém de tomar posse em determinada função, teriam que ficar de fora, os adeptos do liberalismo, comunismo, capitalismo e nacionalismo, pois para Yuval N. Harrari, os defensores desses modelos, são ferrenhos religiosos.
       Portanto, se o Brasil não quer passar pela assombrosa experiência dos Tutsis e dos Hutus de Ruanda, ou até mesmo dos tristes infortúnios do cristianismo reformado, é melhor que política, religião e sociedade se unam nas convergências, respeitem as divergências e que cumpram a democracia, pois do contrário, o território brasileiro poderá se tornar em ambiente tribalista.
        Ah! e se o Ministro da Educação fosse um adventista, que permeasse o respeito e as qualificações do mesmo. Até porque, no que se refere a Educação, os adventistas são bastante renomados. E no que se refere à Liberdade Religiosa, são pioneiros como embaixadores, pois possuem a (IRLA), uma Associação internacional em socorro a Calvinistas, Católicos, Umbandistas, Testemunhas de Jeová e demais religiões perseguidas ao redor do planeta
        

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