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quarta-feira, junho 08, 2016

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Dois Brasis



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Por Célio Barcellos

Parece que no Brasil de Brasília niguém gosta de ninguém. A impressão é que existem dois Brasis: o de Brasília – dos políticos, dos juízes e dos comparsas e o Brasil dos trabalhadores, ou melhor: dos desgraçados, de “casta” inferior que mostra o lombo à espera do chicote. Os tumbeiros, continuam a navegar, num oceando de mazelas, de miséria e de submissão.

Em meio a tudo isso, dá até para recitar Castro Alves ao exclamar em seu poema “Navio Negreiros”: 

“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Coa esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! Noite! Tempestades!
Varrei os mares, tufão!”

Torna-se inadmissível, um país de “dimensões continentais” como o Brasil, possuidor de vastas e diversificadas riquezas, manter o regime de escravidão. Ainda que de forma velada. Digo velada, pois as disparidades existestes dão a entender isso. Por exemplo: a diferença do salário mínimo em comparação a de um político, especialmente a de um deputado, que é o representante direto do povo na esfera federal, é de um abismo que beira a indescência. 

Enquanto um trabalhador, sai todos os dias da sua casa e encara uma verdadeira guerra para o sustento do seu lar, os nobres e de sangue azul, desfrutam de uma benesse mensal de 33,7 mil reais, fora ajuda de custo, cotão, auxilio-moradia e verba de gabinete para contratar 25 funcionários. Segundo o Site, congressoemfoco.uol.com.br, o custo mensal de cada deputado é de 168.662,44.

blogdoramirez.wordpress.com
 Mas isso não para por ai, pois ao legislativo, soma-se o Senado, depois o independente judiciário (de todos os poderes, esse é o intocável, onde verdadeiras injustiças são cometidas, a começar pela aposentadoria compulsória de seus pares, quando pegos em graves delitos, e os aumentos salariais em contextos impróprios como no momento atual). 

Que país é esse? Já dizia a Legião Urbana ao quesitionar as disparidades sociais nos anos 80. Que país nós queremos? Que país iremos deixar para as próximas gerações? Será que o país das “castas” ou o país da “igualdade de todos perante a lei”? 

E por falar em “igualdade de todos perante a lei”, a “operação lava jato” está revelando as tumbas nos mares. Cada tumba aberta, cheira horrores... Há um esforço para manter as tumbas lacradas. Mas o grito dos desgraçados ecoam cada vez mais forte e está impossível conter a ação. O que se tem visto de fato, são os mares varridos por um tufão. Tufão esse, que deixa rastro de destruição, mas que abre caminhos, não para dois Brasis, mas para uma única nação.

Se de fato queremos um Brasil melhor, é preciso um repensar federal. Desde o alto escalão em Brasília até a administração de cada município desse país é necessário um olhar para o outro, não como um escravo, um subserviente, mas como um ser humano que precisa das mesmas oportunidades disponíveis a poucos. 

Portanto, se de fato, queremos um Brasil melhor, é preciso que cada cidadão brasileiro, possua a mente não de um aproveitador da miséria alheia, mas a de um colaborador. É até estarrecedor quando em tragédias como a ocorrida em Mariana e em epidemias assustadoras, como “zika” e “H1N1”, pessoas duplicarem ou até mesmo quadruplicarem valores, para faturarem no desespero humano.
 
Assim sendo, para que o Brasil seja o Brasil que queremos, todos nós precisamos repensar nossos valores. É necessário um olhar mais no coletivo e não somente no individual. Até porque, se você é daqueles que diz que, “o importante é o meu e que se esplodam o resto”, atenção! Você não se ama. Esse “resto”, poderá ser alguém da sua própria linhagem. Nesse caso, o melhor é avançar e fazer dessa Patria um lugar mais feliz em que as oportunidades se igualem a todos.
Viva o Brasil que sonhamos!

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