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quarta-feira, abril 20, 2016

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Golpe ou exigência do povo?




Por Célio Barcellos

Democracia é uma palavra de origem grega e significa “poder do povo”. Na Grécia de Péricles (V século a.C), a democracia foi tão valorizada que esse grande estadista e orador foi chamado de populista. Apesar de a Grécia valorizar o poder do povo, havia na democracia grega uma "perna manca" - a escravidão.

Assim como em vários povos os gregos mantinham escravos em seu sistema, o que numa questão de contexto bárbaro, torna-se mais tolerável do que nos dias atuais, quando milhões de pessoas ao redor do mundo, sofrem algum tipo de escravidão.

Mais de vinte séculos separam o período de Péricles do nosso, e ainda não conseguimos efetivar a democracia ao redor do mundo. O que se vê são governos tiranos que lutam não em prol do povo, mas em torno de si para a manutenção do “status quo” e controle das pessoas. Mesmo em regimes democráticos há o uso indevido da democracia para a perpetuação no poder.

Em países democráticos como o Brasil, a democracia parece ainda não estar totalmente consolidada. O fantasma do golpe sempre ronda o imaginário das pessoas. É claro que tudo precisa ser considerado, pois a própria República surgiu de um golpe orquestrado por intelectuais e militares que estavam em dúvida se destituiria a monarquia brasileira. Um detalhe: Não houve a participação popular e de fato foi considerado um golpe.

A recente votação para a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff tem polarizado o Brasil acerca do assunto. Os partidários do governo dizem se tratar de um golpe, a oposição afirma que não é golpe. Nesse ínterim, um grande agravante para o governo é que quase 70% da população exige a saída da presidente.

Como governar algo ingovernável? Não seria melhor ouvir o povo? Será que de fato o poder está nas mãos do povo? Os governantes sabem que sim, mas hesitam em largar o osso. Enquanto houver nervos e tutanos, o osso tem grande valor e dane-se o povo.

Se porventura, ocorrer o impeachment o discurso do golpe precisa ser abandonado, pois estarão envolvidas não somente as Instituições, mas quase 70% de uma população exigindo a saída da sua líder maior. Se comparado a 1889 com a queda da monarquia, o que está acontecendo atualmente é algo diferente: Perdeu-se a capacidade de governar. 

Talvez seria mais nobre da parte da presidente sair de cena como fez D. Pedro II, quando tinha condições de esboçar resistência mas não o fez, preferiu deixar o Brasil seguir o seu rumo. Se ela optasse por essa alternativa, talvez seria menos traumático para todos. A essa altura do campeonato, se insistir, só restarão 3 coisas: impeachment, renuncia ou o desespero de Getúlio Vargas.

No entanto, se a presidente tem a convicção de que não é culpada de nada, ela tem o direito de lutar até o fim por sua inocência. Porém, por amor ao Brasil, precisa reconhecer a insustentabilidade de governança e deixar que o tempo se encarregue de corrigir as coisas. É uma questão de números. Ela não conseguiu administrar e perdeu a maioria no Congresso em função do seu jeito monocrático de governar.

Talvez, o melhor seria ela deixar as cobras e lagartos se digladiarem. Se o poder está nas mãos do povo, deixe que o mesmo elimine os parasitas e aproveitadores do Estado. Outubro próximo será uma boa oportunidade regional para saber se o povo compreendeu de fato que o poder está em suas mãos. Deixe-o escolher, do contrário ele sempre será escravo de alguém.

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