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sexta-feira, agosto 14, 2015

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O príncipe fujão e a president[a] escondida

   

    Por Célio Barcellos
Com a fuga da família real portuguesa na manhã de 29 de novembro de 1807, Portugal ficou entregue às traças e a mercê de inimigos. De acordo com Laurentino Gomes em seu livro 1808, quando as tropas napoleônicas sob o comando do general Jean Andoche Junot percebeu a fuga de D. João VI e da sua corte, uma onda de violência, confisco a bens e desvalorização da moeda tomou conta do país.
Na invasão francesa, os nobres e bajuladores para salvar as suas peles, tão logo se renderam ao soberano da Europa; o que não aconteceu com o povo comum. Segundo Gomes, não tendo “a opção de fugir como fizera o príncipe regente, ou bajular como fazia a elite remanescente, os portugueses comuns ignoraram a proclamação do general Junot e o manifesto da nobreza, e resistiram ao invasor”.
Após treze anos no Brasil e em meio a situação insustentável, com meio milhão de pessoas mortas e uma população totalmente refém, o rei sabia que não poderia mais postergar o seu retorno. Por maiores dificuldades que tinha em tomar decisões, o monarca compreendeu que o tempo no Brasil fora importante para a “sobrevivência do império português”, mas que o seu período em terras tropicais havia vencido.
Enfim... após o período reinando do Brasil para Portugal, era hora de retornar! Depois de algumas semanas de indecisões, se ele mesmo voltaria ou se enviaria o príncipe herdeiro - D. Pedro, eis que surpreende a todos e ruma para Portugal. Ele sabia, se postergasse ainda mais o retorno, seria destituído do seu reinado e veria a dinastia Real de Bragança totalmente extinta.
Dois séculos depois, não precisando atravessar oceano ou fugir às pressas, mas acuada e com medo de enfrentar os problemas, a Exmª. Sra. Presidente da República Federativa do Brasil, ainda não deixou claro o que fará para conter a crise e devolver a autoestima de seu povo.
O que se vê em meio a uma turbulência sem fim, com dolar subindo, preços inflacionados e aumento no desemprego, são variados interlocutores tentando acalmar uma população furiosa e disposta a depor a sua líder maior. Os partidos não se entendem e os seus caciques tendem a colocar combustível na fogueira para que o estrago seja ainda maior.
Na atual conjuntura, se é que ainda há tempo, o bom seria se a presidente do país ouvisse mais a sua população; esquecesse as suas ideologias e também o seu romantismo brizolista. Uma coisa é fato: o partido que a levou ao poder há muito, governa de forma capitalista com ideias comunistas. E o estrago está ai. O que era romântico virou desastre!
Está na hora de a presidente, colocar em prática as palavras de Maquiavel: “os anseios do povo são mais legítimos que aqueles dos poderosos, porquanto estes tencionam oprimir e aqueles furtar-se à opressão.” E ele ainda diz mais: “um homem que eleva-se à condição de príncipe mediante o favor do povo deve a este manter-se aliado, o que lhe será fácil uma vez que o povo pede apenas para ser poupado da opressão.”
Se a atual líder do país, ouvir o clamor de seu povo, abandonar conceitos retrógados, se humilhar, mostrar-se mais determinada em ações claras e definidas; e à semelhança de D. João VI tomar coragem, certamente, mesmo sangrando, ainda se erguerá. Do contrário, o que lhe aguarda, será o impeachment, a renúncia ou o desespero de Getúlio Vargas.

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